Em uma clara manifestação de resistência à expansão de data centers, moradores de Piqua, Ohio, aprovaram um veto a centros com capacidade superior a 25 megawatts (MW), o que inviabiliza a construção de um projeto da Meta avaliado em mais de um bilhão de dólares. A decisão foi tomada durante as eleições de meio de mandato, refletindo uma crescente onda de descontentamento com a instalação de grandes estruturas tecnológicas nas comunidades locais.
Alisha Lange, uma agricultora de 42 anos e uma das líderes do movimento Save Piqua, expressou a opinião de muitos ao afirmar: “Preferimos muito mais ter uma plantação de milho ou algum tipo de indústria que gere renda para um número maior de pessoas”. Essa declaração sintetiza o sentimento predominante entre os moradores, que se preocupam com os impactos ambientais e sociais que a construção de data centers pode trazer para a região.
A consulta popular, que resultou na proibição, foi aprovada com o apoio de dois terços dos eleitores, demonstrando que a questão transcende divisões políticas. “Democrata ou republicano, isso não importava”, destacou Lange, ressaltando que a comunidade deseja preservar sua identidade agrícola e evitar a transformação de sua cidade em um hub tecnológico.
Além de Piqua, outras cidades dos Estados Unidos também estão adotando medidas semelhantes, com mais de 30 restrições já aprovadas em diversas jurisdições. A Electric Choice, uma organização que monitora a situação, informa que quase 600 localidades já impuseram restrições a data centers, incluindo estados inteiros como Nova York e Texas.
A Meta não é a única gigante da tecnologia a enfrentar resistência; Google, Microsoft e Amazon também estão investindo pesadamente na construção de data centers, mas agora encontram uma crescente oposição nas comunidades. Em Ottawa, uma cidade próxima a Kansas City, os moradores também aprovaram a proibição de grandes data centers, com um ativista local, Michael Lewis, afirmando: “Não estamos à venda”. Ele enfatizou que, apesar das promessas financeiras, a comunidade não está disposta a abrir mão de seus recursos e enfrentar os problemas ambientais associados a essas construções.
Em Janesville, Wisconsin, um projeto de data center que previa um investimento de US$ 8 bilhões foi rejeitado pelo conselho municipal, que decidiu adotar uma moratória de um ano após a pressão da comunidade. Cathy Erdman, membro do grupo Janesville for Responsible Development, comentou que os impactos de um projeto sobre a arrecadação tributária local e a qualidade de vida são agora considerados tão importantes quanto o número de empregos que podem ser criados.
Esses movimentos refletem uma mudança de paradigma nas comunidades, que começam a valorizar não apenas os benefícios econômicos imediatos, mas também os impactos a longo prazo na qualidade de vida e na preservação do meio ambiente. A resistência em Piqua, por exemplo, levou à destituição de dois membros do conselho municipal e do prefeito, demonstrando a força da mobilização local.
A situação em Piqua e em outras cidades é um exemplo claro de como a crescente indignação com o boom da inteligência artificial e a instalação de data centers está moldando o futuro das comunidades nos Estados Unidos. Os moradores estão se unindo para garantir que suas vozes sejam ouvidas e que suas cidades permaneçam como espaços de vida e trabalho sustentáveis, em vez de se tornarem meros locais para grandes operações tecnológicas.



