Post: Governo adia PL dos aplicativos para evitar desgaste político antes das eleições

Governo Lula adia votação do PL dos aplicativos até após as eleições, evitando desgaste político.
Governo adia PL dos aplicativos para evitar desgaste político antes das eleições

O governo Lula decidiu adiar a votação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, que visa regulamentar o trabalho por aplicativo, até após as eleições presidenciais de outubro. Essa decisão foi tomada em meio a um cenário de alta rejeição e críticas à proposta, que já gerava tensão entre trabalhadores e plataformas digitais.

Na segunda-feira (13), o relator do projeto, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), retirou a matéria da pauta da comissão especial da Câmara, após um pedido do ministro José Guimarães, que agora comanda a Secretaria de Relações Institucionais. O adiamento foi prontamente aceito pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.

Alegação oficial

O ministro Guimarães não hesitou em admitir que a decisão foi influenciada por cálculos eleitorais. Durante um encontro com jornalistas no Palácio do Planalto, ele comparou a situação ao desgaste que o governo enfrentou com a polêmica da ‘taxa das blusinhas’. “Iria para nosso colo como veio a taxa das blusinhas. Os aplicativos, entrei de última hora, estavam os ministros Marinho e Boulos. Lula disse pra eu tirar da pauta e eu corri”, afirmou.

Sem acordo entre as partes

A votação do projeto estava prevista para a terça-feira (14), mas Guimarães destacou que não houve consenso entre as partes envolvidas. “Não tinha acordo sobre nada”, disse ele, referindo-se à divisão entre plataformas e entregadores. O ministro Guilherme Boulos, que também participou das negociações, não conseguiu avançar nas discussões. A segunda versão do texto apresentada por Coutinho não agradou ao governo e foi criticada até pelo próprio Boulos. Guimarães ainda mencionou que a oposição aguardava um erro do governo para acusá-lo de prejudicar os trabalhadores de aplicativo.

O que diz o texto

O PLP 152/2025 mantém a condição dos trabalhadores como autônomos, sem vínculo empregatício. O relatório de Coutinho propõe um piso de R$ 8,50 por corrida e estabelece dois modelos de remuneração: por serviço ou por tempo efetivo. No entanto, a proposta não inclui regras para entregas múltiplas ou pagamento adicional por trabalho noturno, aos domingos e feriados, pontos que são considerados problemáticos pelo governo.

Pressão nas ruas

Em resposta ao adiamento do projeto, motoristas e entregadores de aplicativos realizaram protestos em pelo menos 23 capitais brasileiras na terça-feira (14). Os trabalhadores consideram o projeto uma forma de precarização do trabalho nas plataformas digitais. Líderes do movimento afirmaram que a proposta legaliza a exploração dos trabalhadores, aumentando a insatisfação na categoria.

Versão dos trabalhadores

Uma pesquisa realizada pela plataforma GigU em parceria com a consultoria Jangada revela que 52,2% dos motoristas e entregadores são contrários à regulamentação proposta. O levantamento também indica que 62% acreditam que a formalização pode reduzir sua renda, enquanto 47,9% não veem benefícios significativos na medida.

Desgaste político

O adiamento do projeto representa uma derrota para o Executivo, que havia prometido, ao assumir o mandato, proteger os trabalhadores de plataformas como Uber, iFood e 99. O governo havia colocado o PL como uma prioridade na Câmara no início do ano, considerando a regulamentação uma bandeira eleitoral para 2026, mesmo sabendo que a medida era impopular entre os trabalhadores informais.

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