As exportações de carne bovina do Brasil enfrentaram uma queda significativa em setembro, atingindo 229 mil toneladas, o que representa uma redução de 35% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. As compras da China, um dos principais importadores, despencaram para apenas 13 mil toneladas, uma queda impressionante de 93%. Apesar desses números alarmantes, o preço da arroba do boi continua em ascensão, alcançando valores próximos a R$ 380, com algumas previsões apontando para a possibilidade de atingir R$ 400. Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea, explica que essa alta nos preços é impulsionada por diversos fatores. A oferta de animais para abate está reduzida, e o aumento no valor do bezerro faz com que muitos pecuaristas optem por reservar fêmeas para a reprodução. Embora a proporção de machos nos abates seja de 60%, a escassez de fêmeas contribui para a elevação do preço da arroba. A expectativa é que os consumidores não vejam alívio nos preços da carne nos próximos meses. Os confinamentos apresentam menos animais do que nos anos anteriores, o que agrava ainda mais a situação. Apesar da saída da China do mercado, a demanda externa pela carne brasileira permanece robusta, com exportações que superam 195 mil toneladas mensais. Outro fator que pressiona o mercado é o recorde nas exportações de animais vivos, que devem totalizar entre 1,3 milhão e 1,4 milhão de cabeças até setembro. Esses animais incluem vacas prenhes, bezerros e bois magros. Embora a China tenha diminuído suas compras recentemente, já está em negociações para novos contratos de fornecimento de carne para janeiro de 2027. Essa busca por carne brasileira faz com que os frigoríficos procurem animais prontos no campo, já que o Brasil é um dos poucos países com capacidade significativa de oferta no mercado internacional. Enquanto a China reduz sua presença, os Estados Unidos estão aumentando suas importações, comprando 48 mil toneladas no último mês, um crescimento de 37% em relação ao ano anterior. No entanto, a demanda interna também desempenha um papel crucial. Apesar do endividamento da população brasileira, muitos ainda preferem a carne bovina, sustentando os preços. Os valores da arroba estão em níveis recordes, e o preço do quilo da carcaça casada, um indicador importante, já ultrapassa R$ 25. Esse valor representa o maior preço deflacionado desde 2020, quando as compras chinesas começaram a crescer. Se a tendência continuar, o preço da arroba pode chegar aos R$ 400, com o mercado futuro já sinalizando R$ 388. Essa expectativa de alta leva os pecuaristas a endurecerem as negociações com a indústria, criando um cenário de tensão entre os dois lados. A grande preocupação, segundo Carvalho, é se o consumidor brasileiro conseguirá arcar com o preço da carne a R$ 400 a arroba e se a demanda externa se manterá forte. Além disso, países como a Turquia também estão se tornando players importantes nesse mercado.




