Post: Previsão de queda no fluxo de voos domésticos no Brasil para menos de 90 milhões de passageiros

aviacao - A Iata prevê que o fluxo de voos domésticos no Brasil cairá para menos de 90 milhões de passageiros devido ao alto custo das passagens.
Previsão de queda no fluxo de voos domésticos no Brasil para menos de 90 milhões de passageiros

A Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos) projeta uma redução significativa no número de passageiros em voos domésticos no Brasil, que deve cair para menos de 90 milhões anualmente. Essa previsão foi anunciada pelo vice-presidente da entidade para as Américas, Peter Cerdá, durante uma entrevista a jornalistas. Em 2025, o Brasil registrou um fluxo recorde de mais de 100 milhões de viajantes, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No entanto, Cerdá enfatiza que o alto custo das passagens aéreas tornará as viagens inacessíveis para muitos brasileiros. “Em um país como o Brasil, onde tivemos um recorde de mais de 100 milhões de passageiros em voos domésticos em 2025, infelizmente voltaremos a ficar abaixo de 90 milhões devido ao alto custo das viagens. Simplesmente não será acessível para muitas pessoas”, afirmou Cerdá. O evento IATA AGM (Annual General Meeting) está ocorrendo no Rio de Janeiro, marcando o retorno da reunião à América do Sul após 27 anos. Durante a conferência, Cerdá criticou a elevada carga tributária e a judicialização do setor aéreo na região, ressaltando a necessidade de um diálogo com o governo para melhorar as condições do transporte aéreo. “Temos nos reunido com o Ministério da Fazenda e outras áreas do governo para explicar a importância do transporte aéreo e mostrar o que tem sido feito em outros países, onde a aviação recebe descontos ou alíquotas menores de impostos, garantindo a continuidade do crescimento das viagens aéreas”, declarou. Além disso, a Iata estima que as mudanças previstas na reforma tributária no Brasil podem aumentar o preço das passagens aéreas, tanto domésticas quanto internacionais, reduzindo a demanda em até 30%. O valor médio da passagem para voos domésticos pode subir 23%, alcançando US$ 160 (aproximadamente R$ 827), enquanto os bilhetes internacionais podem ter um aumento ainda maior, de 26,3%, chegando a uma média de US$ 935 (cerca de R$ 4.836). Cerdá alertou que, se o cenário não melhorar, o impacto se estenderá ao transporte aéreo de carga, resultando em menos voos e menos espaço disponível para o transporte de mercadorias. “Se o mercado encolher, haverá menos voos e menos espaço disponível nos porões das aeronaves. Isso afetará outros setores da economia, já que essas mercadorias não poderão ser transportadas com a mesma facilidade”, concluiu. A indústria da aviação enfrenta desafios significativos, especialmente devido aos custos crescentes com combustível, que têm aumentado desde a escalada da guerra no Irã. Cerdá ressaltou que existem fatores estruturais que afetam as companhias aéreas, e a colaboração entre o setor e o governo é essencial para garantir um futuro mais sustentável para a aviação no Brasil.

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