Em um marco histórico para a juventude indiana, o movimento informal conhecido como “Partido das Baratas” realizou seu primeiro grande protesto em Nova Déli, no último sábado (6). Liderado por Abhijeet Dipke, de 30 anos, o ato reuniu milhares de manifestantes que exigiam a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Este movimento, que ganhou notoriedade nas redes sociais, representa uma nova forma de dissidência contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi, que está no poder há 12 anos.
Dipke, que reside nos Estados Unidos e não visitava a Índia desde a formação do movimento, foi recebido em Nova Déli por centenas de apoiadores. Carregando uma cópia da Constituição indiana, ele expressou sua determinação em lutar por mudanças significativas no sistema educacional do país. “Não é um partido planejado. Esta é a voz daqueles estudantes que estão revoltados com o governo”, afirmou durante o protesto.
Desde seu lançamento em maio, o “Partido das Baratas” acumulou mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, tornando-se a maior expressão online de oposição ao governo Modi. O movimento foi impulsionado por questões como o alto desemprego juvenil e os recentes escândalos relacionados a vazamentos de provas e erros de correção que ameaçam a carreira de milhões de estudantes.
Os manifestantes, como Aarav, que preferiu não revelar seu sobrenome, clamaram por reformas profundas no sistema educacional. “Espero que o ministro da Educação renuncie e, depois, que haja uma grande reforma no sistema educacional do país. Os funcionários da Agência Nacional de Testes e do Conselho Central de Educação Secundária deveriam ser transferidos ou até suspensos pelo resto de suas vidas, porque não merecem seus cargos”, declarou Aarav.
A Índia enfrenta um grande desafio em relação ao emprego para sua população jovem, que representa quase 400 milhões de pessoas na faixa etária de 15 a 29 anos. A taxa de desemprego entre os jovens nas cidades chegou a quase 14% em abril, e muitos estão presos em empregos mal remunerados que não correspondem às suas qualificações.
O governo Modi tomou medidas drásticas contra o movimento, bloqueando sua conta no X dentro da Índia, uma ação contestada pelo grupo em um tribunal de Nova Déli. Além disso, o “Partido das Baratas” foi acusado de buscar seguidores no Paquistão, uma alegação que Dipke refutou, compartilhando dados que mostram que cerca de 95% dos seguidores da conta no Instagram estão localizados na Índia.
Com esse protesto, o “Partido das Baratas” não apenas se posiciona contra o governo, mas também busca dar voz a uma geração que se sente cada vez mais frustrada e sem oportunidades. O movimento reflete uma nova era de ativismo jovem na Índia, que promete continuar a desafiar o status quo e exigir mudanças significativas no país.




