Post: Por que escolher renda fixa com menor rendimento pode ser vantajoso?

Entenda por que escolher renda fixa com rendimento menor pode ser uma decisão mais segura e vantajosa.
Por que escolher renda fixa com menor rendimento pode ser vantajoso?

Ao considerar investimentos em renda fixa, muitos se deparam com a dúvida entre escolher a opção com maior rendimento ou aquela que oferece menor taxa. Por exemplo, se um investimento oferece 12% ao ano e outro 13%, a tentação de optar pelo segundo é compreensível. Contudo, essa diferença de apenas um ponto percentual pode ocultar riscos que, na prática, tornam a escolha menos vantajosa.

Para entender por que a maior taxa nem sempre é a melhor opção, é fundamental esclarecer o que caracteriza um investimento livre de risco. O professor Aswath Damodaran, da Universidade de Nova York, define um investimento livre de risco como aquele cujo retorno efetivo será exatamente igual ao esperado para o prazo estabelecido. Em outras palavras, é um investimento onde o retorno é garantido e conhecido antecipadamente.

Três condições são essenciais para que um investimento seja considerado livre de risco. A primeira é a ausência de risco de inadimplência, o que significa que o emissor do título deve honrar sua obrigação. A segunda condição é que o investimento não dependa de reaplicações futuras a taxas desconhecidas. Por fim, o rendimento deve ser conhecido na moeda escolhida. Assim, não basta saber a remuneração prometida; é necessário conhecer o valor que estará disponível na data desejada.

Um exemplo claro de investimento livre de risco é um título público prefixado, que não realiza pagamentos intermediários e tem vencimento na data em que o investidor precisa do dinheiro. Essa classificação assume que o governo cumprirá sua dívida. É importante ressaltar que, embora o valor nominal a ser recebido seja conhecido, isso não garante que o poder de compra futuro será o mesmo, uma vez que dependerá da inflação.

Considerando um investimento de R$ 100 mil em um título público prefixado com rendimento de 12% ao ano, ao final de cinco anos, o investidor receberá exatamente R$ 176.234,42. Durante esse período, mesmo que as taxas de juros subam ou desçam, o valor contratado permanece inalterado.

Agora, retornando à comparação inicial entre os dois investimentos, se o título de 12% é o de menor risco, por que existe um título que paga 13%? A resposta pode estar nos diferentes riscos que o investidor assume para obter esse rendimento adicional. O primeiro risco é o de crédito, onde um título de 13% pode ser uma debênture emitida por uma empresa com dificuldades financeiras. Nesse caso, o investidor pode não receber parte ou até a totalidade do valor investido, e o ponto percentual extra precisa compensar essa possibilidade.

Outro risco a considerar é o risco de mercado. Esse risco se manifesta quando o prazo do título é maior do que o tempo que o investidor pretende manter o investimento. Por exemplo, um título que paga 13% ao ano pode ter um vencimento em dez anos, enquanto o investidor planeja utilizar os recursos em cinco anos. Se as taxas de juros subirem nesse intervalo, o preço do título pode cair, resultando em um retorno inferior ao esperado caso o investidor precise vendê-lo antes do vencimento. Portanto, mesmo que a taxa de 13% pareça mais atraente, os riscos associados podem tornar o investimento menos seguro e, consequentemente, menos vantajoso a longo prazo. Em resumo, ao avaliar investimentos em renda fixa, é crucial não apenas olhar para a taxa de rendimento, mas também considerar os riscos envolvidos. Um rendimento menor, mas mais seguro, pode ser a melhor escolha para quem busca estabilidade e previsibilidade em seus investimentos.

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