Milhares de colombianos tomaram as ruas nesta quarta-feira (14) em diversas cidades do país para protestar contra o governo de Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há apenas dois meses. Os atos, convocados pela oposição liderada pelo ex-presidente Gustavo Petro, reuniram sindicatos, comunidades indígenas, estudantes e feministas, que expressaram sua insatisfação com o novo governo. Os manifestantes entoaram gritos como “vai cair!”, refletindo um clima de descontentamento generalizado. Unzo Vargas, um dos participantes, destacou a sensação de insegurança em relação aos direitos conquistados. “Sinto-me em perigo, nossos direitos estão em risco. Tudo pelo que lutamos durante tanto tempo está hoje em risco”, afirmou, segurando a bandeira arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+. Desde que assumiu, Espriella abandonou a política de paz de seu antecessor e, com apoio dos Estados Unidos, intensificou a luta contra grupos armados financiados pelo tráfico de drogas. Essa mudança de postura é vista como uma ameaça ao acordo de paz que resultou no desarmamento das Farc em 2016, considerado por muitos como um marco na história do país. O governo atual critica o acordo, alegando que foi indulgente com guerrilheiros que cometeram crimes graves. Além disso, os protestos também refletem a preocupação com a possível perda de conquistas trabalhistas, como o aumento do salário mínimo e o acesso gratuito à universidade pública, implementados durante a gestão de Petro. “O pouco que conquistamos estamos prestes a perder”, lamentou Ester Guerra, professora de 32 anos. As manifestações ocorreram de forma pacífica em cidades como Bogotá, Medellín e Cali, mas em Ibagué, a situação se agravou quando tropas de choque dispersaram os protestos com gás lacrimogêneo. Outro ponto de discórdia entre os manifestantes é o restabelecimento das relações diplomáticas com Israel, rompidas durante o governo de Petro, e a aproximação com o governo de Donald Trump, que muitos consideram uma ameaça à soberania nacional. “Estou com raiva, me sinto ofendida, não merecemos isso. Ele [Espriella] só quer entregar o país aos Estados Unidos e a Israel. Sinto que tempos sombrios estão por vir”, desabafou a estudante Jimena Rodríguez, de 20 anos. Os protestos também foram marcados por bandeiras palestinas e a queima de uma grande bandeira americana em Bogotá. O ex-presidente Petro participou da manifestação, mas não fez declarações. O senador de esquerda Iván Cepeda, que perdeu para Espriella nas últimas eleições, também esteve presente, demonstrando apoio ao movimento.




