Post: Ex-chefe de segurança de Israel denuncia Netanyahu por mentir sobre aviso do ataque de 7 de outubro

Ronen Bar, ex-chefe do Shin Bet, processa Netanyahu por mentir sobre aviso do ataque do Hamas em 7 de outubro.
Ex-chefe de segurança de Israel denuncia Netanyahu por mentir sobre aviso do ataque de 7 de outubro

Ronen Bar, ex-chefe do serviço de segurança interna israelense Shin Bet, apresentou uma ação judicial contra o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, acusando-o de mentir ao afirmar que não foi avisado sobre o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Bar, que liderava o Shin Bet na época do atentado, alega que Netanyahu fez essas declarações para desviar a atenção de sua própria responsabilidade em relação ao ocorrido.

A ação ocorre em um momento delicado, a apenas duas semanas das eleições legislativas em Israel, marcadas por um clima tenso e acirrado. As acusações de falhas na segurança durante o ataque do Hamas têm colocado a campanha de Netanyahu sob pressão. Em junho de 2025, Bar já havia se demitido, admitindo falhas em sua gestão. “Todos os sistemas falharam. O Shin Bet não soube dar o alerta”, disse ele na época, assumindo a responsabilidade pelo que ocorreu.

Contudo, Bar afirma que alertou Netanyahu em diversas ocasiões sobre as ameaças do Hamas antes do ataque, o que o leva a acusar o primeiro-ministro de mentir para proteger sua imagem. Em um documento de 134 páginas, Bar detalha as supostas calúnias que sofreu e contesta as acusações de negligência que lhe foram atribuídas.

Netanyahu, por sua vez, sempre sustentou que não foi informado sobre os riscos iminentes. Ele criticou os comandantes do Exército e do Shin Bet por não terem o acordado na madrugada do ataque, sugerindo que a situação poderia ter sido diferente caso tivesse recebido um aviso. Bar, em sua defesa, afirma ter tentado contatar o assessor militar do primeiro-ministro antes do ataque, mas não tinha o número direto de Netanyahu.

“Ronen, você fala sério?”, foi a reação de Netanyahu ao ser questionado sobre a falta de comunicação, segundo relatos. O primeiro-ministro argumentou que Bar deveria ter usado uma linha direta para se comunicar com ele, como fazem outros chefes de segurança. Bar busca uma indenização de três milhões de shekels, equivalentes a cerca de R$ 4,8 milhões, em decorrência das acusações feitas por Netanyahu.

A situação revela um cenário de tensão política em Israel, onde a segurança nacional e a responsabilidade dos líderes estão em debate. O desfecho deste caso pode influenciar não apenas a reputação de Netanyahu, mas também o resultado das eleições que se aproximam.

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