Post: Câmara dos Deputados analisa projeto que regulamenta fintechs e combate fraudes financeiras

Projeto de Lei 2901/26 visa regulamentar fintechs e combater fraudes financeiras com novas diretrizes e supervisão do Bacen.
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas legislativa. Dep. Lincoln Portela (PL - MG)
Deputado Lincoln Portela, autor do projeto

O Projeto de Lei 2901/26, atualmente em análise na Câmara dos Deputados, estabelece um marco regulatório para fintechs e plataformas financeiras digitais. Com foco na supervisão tecnológica, transparência de algoritmos e prevenção à lavagem de dinheiro, a proposta busca modernizar a legislação que rege este setor em constante evolução.

As fintechs, que combinam finanças e tecnologia para oferecer serviços financeiros de maneira digital e menos burocrática, têm ganhado destaque no mercado. O termo é uma junção das palavras em inglês financial (finanças) e technology (tecnologia), refletindo a inovação que trazem ao setor financeiro tradicional.

De acordo com a proposta, a regulamentação das fintechs será proporcional ao tamanho da empresa, ao volume de transações e ao risco associado ao negócio. O Banco Central (Bacen) terá a responsabilidade de definir os níveis de regulamentação, proporcionando um modelo mais flexível para as startups financeiras.

Atualmente, a regulação desse mercado é realizada por meio de resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Bacen, complementadas por leis financeiras gerais, como a que regulamenta os arranjos de pagamento, a Lei 12.865/13. Contudo, o deputado Lincoln Portela (PL-MG), autor do projeto, argumenta que a legislação atual não acompanha a velocidade das inovações tecnológicas e necessita de revisão.

“Permanece evidente a existência de lacunas jurídicas e institucionais relacionadas à supervisão tecnológica das fintechs, em um cenário onde facções criminosas e organizações transnacionais têm utilizado a fragmentação digital para ocultar operações e patrimônio”, afirma Portela.

Rastreabilidade inteligente
A proposta proíbe a abertura ou manutenção de contas financeiras anônimas e exige que as fintechs classificadas como de risco pelo Bacen implementem sistemas automatizados de “rastreabilidade financeira inteligente”. Essa tecnologia deve ser capaz de identificar ocorrências como:

  • fragmentação artificial de operações, em que grandes quantias são divididas em várias pequenas transferências para evitar fiscalização;
  • uso coordenado de “contas de passagem”;
  • movimentações que não condizem com o perfil econômico do cliente;
  • redes financeiras ligadas a organizações criminosas;
  • padrões transnacionais suspeitos.

Estruturas digitais
As plataformas devem garantir que a vigilância respeite a proteção de dados pessoais e o devido processo legal, além de contar com supervisão humana qualificada. As fintechs também serão obrigadas a manter um histórico das operações por um período mínimo de dez anos.

Combate a fraudes
Outro aspecto importante do projeto é a criação do Sistema Nacional de Integridade Financeira Digital (SNIFD), que será coordenado pelo Bacen em colaboração com órgãos como a Polícia Federal, Receita Federal e Coaf. O objetivo é monitorar possíveis fraudes, evasão fiscal e movimentações ligadas ao crime organizado.

Inteligência Artificial
A proposta ainda institui o Sandbox Financeiro Permanente, um ambiente regulatório flexível onde as empresas poderão testar inovações como blockchain, tokenização e biometria sob a supervisão do governo. Entretanto, as plataformas que utilizarem inteligência artificial para análise de crédito ou prevenção de fraudes deverão manter documentação técnica sobre o funcionamento desses sistemas, e o Bacen poderá exigir relatórios para entender como os algoritmos tomam decisões.

Punições
As empresas que não reportarem operações suspeitas, fraudarem rastreamentos ou facilitarem a lavagem de dinheiro estarão sujeitas a advertências, suspensão operacional, cassação da autorização de funcionamento e multas que podem chegar a 20% do faturamento bruto anual.

Próximos passos
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Finanças e Tributação, e Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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