Post: Ultradireita conquista bancada no Senado da França pela primeira vez em meio a polêmicas

Ultradireita forma bancada no Senado da França pela primeira vez, mas enfrenta acusações de antissemitismo contra líder do partido.
Ultradireita conquista bancada no Senado da França pela primeira vez em meio a polêmicas

A Reunião Nacional (RN), partido de Marine Le Pen, celebrou uma conquista histórica nas eleições senatoriais de domingo (27), ao formar, pela primeira vez, uma bancada parlamentar na câmara alta da França. A vitória se dá em um momento em que a popularidade da candidata cresce, com pesquisas indicando mais de 33% de intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, com uma vitória projetada no segundo turno contra qualquer adversário.

No entanto, essa conquista foi ofuscada por uma grave acusação contra Jordan Bardella, presidente do partido e a principal aposta da ultradireita para o futuro. Na segunda-feira (28), o site de notícias Mediapart divulgou uma reportagem que atribui a Bardella dezenas de mensagens privadas com conteúdo antissemitas e teorias conspiratórias, escritas entre 2013 e 2015, quando ele era um jovem militante da Frente Nacional (FN), antecessora da RN.

Bardella, que tinha apenas 17 anos na época, já era um membro ativo do partido, tendo se juntado ao FN em 2012, aos 16 anos. As mensagens, segundo a reportagem, incluem afirmações como “os bancos são todos controlados por judeus” e que “o judeu deve dominar os outros povos, esmagá-los e roubá-los”, além de críticas a ministros do ex-presidente François Hollande por priorizarem os interesses de Israel em detrimento dos franceses.

As revelações são especialmente explosivas a sete meses da eleição presidencial, marcada para abril. Bardella, em uma de suas mensagens, afirmou que “a política é comunicação”, sugerindo que a imagem pública do partido deveria ser cuidadosamente gerida para não revelar suas convicções mais extremas. Isso se alinha ao que a oposição descreve como uma “desdiabolização” do partido, uma tentativa de suavizar sua imagem para atrair mais eleitores.

Em resposta às acusações, Bardella negou a veracidade das mensagens, classificando-as como “falsificações grosseiras” e anunciou que tomará medidas legais por difamação. Em uma reunião com os parlamentares do RN, ele declarou que enfrenta os “prelúdios de uma guerra total” contra o partido.

Marine Le Pen, por sua vez, expressou total confiança em Bardella e chamou a investigação de uma operação de espionagem suja, afirmando que “nenhuma pessoa normalmente constituída pode acreditar numa doidice dessas”. O Mediapart, no entanto, defendeu a veracidade dos documentos, com o jornalista investigativo Antton Rouget afirmando que as evidências são claras e que as mensagens foram autenticadas.

A situação levanta questões sobre o futuro do partido e sua capacidade de se distanciar de suas raízes mais extremas, enquanto tenta consolidar sua nova posição no cenário político francês. Com a eleição presidencial se aproximando, a RN terá que lidar não apenas com as críticas externas, mas também com as divisões internas que essas revelações podem causar.

Últimas Notícias