A recente vitória da seleção brasileira por 4 a 2 contra a Austrália trouxe à tona discussões sobre a evolução tática do futebol nacional. Sob a batuta do técnico Carlo Ancelotti, a equipe apresentou um novo desenho tático, com um meio-campo formado por Bruno Guimarães, Gabriel Bontempo e Danilo. Essa formação, que se destacou especialmente no segundo tempo com a entrada de Andrey, representa uma mudança significativa em relação ao tradicional esquema brasileiro, que geralmente conta com uma dupla de volantes e um meia ofensivo.
A proposta de Ancelotti, ao optar por um trio de meio-campistas, visa aumentar a pressão na marcação e a eficiência no jogo coletivo. Essa abordagem, que se distoa da ideia de um craque isolado, se alinha com as melhores práticas observadas em clubes europeus, onde a estratégia e a intensidade têm sido aprimoradas ao longo dos anos. O futebol brasileiro, por sua vez, parece estar em um dilema, sem saber se deve priorizar o talento individual ou a organização coletiva.
Nos anos 70, Chico Buarque comparou o futebol europeu à organização e os brasileiros à improvisação e criatividade. No entanto, a realidade atual mostra que os europeus não apenas evoluíram em termos táticos, mas também começaram a formar jogadores que combinam habilidade e velocidade, características que antes eram exclusivas dos craques brasileiros. O Brasil, por outro lado, parece ter ficado para trás nessa evolução, perdendo a capacidade de integrar a genialidade individual à estratégia coletiva.
Enquanto o Brasil enfrenta seleções consideradas mais fracas, como a Austrália e a Índia, os europeus competem em jogos intensos e bem organizados, como evidenciado na vitória da Espanha sobre a Inglaterra e a atuação impressionante de Odegaard na vitória de Portugal sobre a Noruega. Odegaard, que se destaca por sua habilidade em iniciar jogadas e sua versatilidade, exemplifica o tipo de jogador que o futebol brasileiro precisa formar.
A comparação com Gerson, que brilhou na Copa de 1970, é pertinente. Gerson, conhecido por sua capacidade de receber a bola dos zagueiros e criar jogadas, representa o que se espera de um meio-campista moderno. A sua habilidade em fazer passes curtos e longos com precisão é um exemplo do que falta atualmente no futebol brasileiro. A filosofia do óbvio sugere que o Brasil deve integrar tanto a individualidade quanto a estratégia coletiva, criando um modelo que valorize ambos os aspectos.
Portanto, a vitória sobre a Austrália é um passo positivo, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que o futebol brasileiro recupere sua posição de destaque no cenário mundial. A evolução tática e a formação de jogadores mais completos são essenciais para que o Brasil volte a ser um protagonista no futebol internacional.



