Post: Traçando Veríssimo: exposição revela o processo criativo do cronista brasileiro

Exposição 'Traçando Veríssimo' revela o processo criativo do cronista Luis Fernando Veríssimo, com itens pessoais e reflexões.
Traçando Veríssimo: exposição revela o processo criativo do cronista brasileiro

“A passa é a múmia da fruta”. Frases como essa, escritas à mão em cadernos de rascunho, oferecem um vislumbre do processo criativo de uma das mentes mais brilhantes do humor brasileiro. Luis Fernando Veríssimo, conhecido por suas crônicas e personagens icônicos, como o analista de Bagé e Ed Mort, deixou um legado literário impressionante, com mais de 80 livros publicados, incluindo “Comédias da Vida Privada”. Sua produção se destacava pela leveza e pelo humor refinado, seja na palavra escrita ou no desenho.

Em homenagem aos 90 anos que Veríssimo completaria em 26 de setembro, o Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, abriga a exposição “Traçando Veríssimo”, que é gratuita e reúne mais de 300 itens pessoais do autor, como cadernos, charges e originais de livros. A curadora da mostra, Isa Pessoa, explica que o objetivo é mostrar ao público como surgiram as ideias ao longo de cinco décadas de carreira do autor.

“Você todo dia escrever. Você sentar e aí tem assim: ‘o otimista’. Aí tem: ‘tá chovendo’. Aí tem as várias situações que o otimista… sabe? A cada dia. É quase entrar na pré-criação. Nas várias camadas da pré-criação: aquele bilhetinho de hotel que ele começa a desenhar um boneco é um pré-pai da família Brasil, né?”

Entre os itens expostos, destacam-se fotografias de quando Veríssimo foi homenageado pela escola Imperatriz do Samba no carnaval de Porto Alegre, desfilando em um carro alegórico. Também está presente uma flâmula do Internacional, time sobre o qual escreveu sua primeira crônica. A montagem da exposição “Traçando Veríssimo” foi organizada a partir de frases ditas pelo próprio autor, e as Cobras, personagens que comentam sobre tudo, ocupam um espaço central na mostra. Isa Pessoa compartilha o que Veríssimo dizia sobre essa dupla.

“Ele dizia ‘olha, as cobras nasceram da preguiça, né? Eu sou mal desenhista e [para] as cobras basta um pescoço e dois olhinhos e você faz as cobras, é muito fácil’. A própria maneira até como ele conta é engraçada, né? […] Esse humor, de dentro do território da classe média, eu acho que o alcance pop dele sempre teve esse ancorado nesse grande navio”.

Luis Fernando Veríssimo faleceu em agosto do ano passado, aos 88 anos. Seu último desenho, feito em março de 2022, foi dado à esposa, Lúcia, e pode ser visto na mostra. Fotos de sua infância e com o pai, o escritor Érico Veríssimo, também fazem parte da exposição. Uma réplica da poltrona vermelha que existia na casa da família está no segmento dedicado ao jazz, junto com os discos da coleção do autor. Veríssimo, que tocava saxofone e clarinete, sonhou em ser músico antes de se tornar escritor. Seu primeiro livro, “O Popular, crônicas ou coisa parecida”, foi publicado quando já tinha 37 anos. Ao longo de sua vida, ele se consagrou como um grande cronista, capturando o cotidiano com sagacidade em frases como “a morte é uma sacanagem, sou totalmente contra”.

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