Post: Papa Leão 14 se reúne com imigrantes antes de missa na Champs-élysées, em Paris

Papa Leão 14 se encontra com imigrantes em Paris, pedindo dignidade e paz antes de missa na Champs-Élysées.
Papa Leão 14 se reúne com imigrantes antes de missa na Champs-élysées, em Paris

O papa Leão 14 fez um apelo à “convivência com dignidade e paz” durante um encontro com imigrantes em Paris, neste sábado (26). A reunião ocorreu horas antes de uma grande missa que reunirá cerca de 600 mil pessoas na icônica Champs-Élysées, marcando sua primeira visita à França. A visita acontece em um contexto delicado, onde partidos de extrema direita estão ganhando força na Europa, promovendo uma retórica anti-imigração.

O pontífice, de ascendência peruana-americana, visitou a Casa Bakhita, uma ONG católica que presta assistência a migrantes. Durante o encontro, ele ouviu os relatos de exilados do Afeganistão e da Nigéria. “Estou feliz em começar este segundo dia em Paris com vocês, nesta casa que é um testemunho para toda a cidade de que é possível se encontrar e conviver com dignidade e paz”, afirmou Leão, ressaltando sua própria herança como neto de imigrantes.

A Casa Bakhita, fundada em 2017 após um apelo do papa Francisco para acolher e integrar estrangeiros, homenageia Josefina Bakhita, uma sudanesa que foi escravizada e se tornou freira, sendo canonizada pela Igreja Católica. O papa destacou a importância de ver aqueles que são invisibilizados e de honrar a dignidade de cada ser humano.

A visita do papa foi interpretada como uma mensagem poderosa, especialmente em um momento em que a imigração se tornou um tema central nas eleições presidenciais na França. Marine Le Pen, a candidata de ultradireita, lidera as pesquisas, mas a coordenadora das Capelanias Católicas para a Migração, Marcela Villalobos, afirmou que há um crescente apoio para acolher migrantes e construir uma “civilização do amor”, como mencionou o papa.

Desde sua eleição em maio de 2015, Robert Francis Prevost, o papa Leão 14, tem defendido os direitos dos exilados e criticado as políticas de imigração de líderes como Donald Trump. Sua visita a Paris, a primeira de um papa desde Bento 16 em 2008, foi recebida com grande entusiasmo popular, com 300 mil pessoas o saudando durante um passeio no papamóvel e 80 mil jovens o recebendo em uma vigília no Stade de France.

Cerca de 600 mil fiéis são esperados para a missa na Praça da Concórdia e na Champs-Élysées, que começará às 13h (horário de Brasília). A presença de vários candidatos, incluindo Le Pen, é esperada, mas o atual presidente Emmanuel Macron não comparecerá, já que seu mandato termina em maio.

Além disso, o papa está atento ao aumento dos batismos de jovens na França, mesmo em um contexto de declínio da prática religiosa. Ele se reunirá com recém-batizados e aqueles que serão batizados no Instituto Católico de Paris. Após a missa, Leão 14 seguirá para o santuário de Lourdes, onde se encontrará com vítimas de abuso sexual na Igreja e concluirá sua visita em Metz com um discurso sobre paz e União Europeia.

Logo após sua chegada à França, o papa abordou questões como laicismo, inteligência artificial e eutanásia, condenando práticas como manipulação genética e tráfico de órgãos. Ele defendeu o “direito à vida” como um pilar dos direitos humanos, em meio a um debate intenso sobre a legalização do aborto e da eutanásia na França, que se tornou o primeiro país a consagrar a “liberdade garantida” do aborto em sua Constituição em 2024.

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