O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro apresentou um crescimento de 0,7% no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho, embora positivo, representa uma desaceleração significativa em relação ao crescimento de 12,9% registrado no primeiro trimestre de 2025. A safra deste ano, que promete ser recorde, trouxe uma base de comparação mais curta, influenciando os números atuais.
Os principais motores desse crescimento foram a produção recorde de soja, a safra de milho de verão e a pecuária, que continua a mostrar um aumento consistente nos últimos anos. Apesar do crescimento mais modesto no início de 2026, o agronegócio ainda apresenta uma evolução de 7,5% nos últimos quatro trimestres em relação ao período anterior.
Entretanto, alguns produtos que impulsionaram o PIB no início do ano passado, como o arroz, tiveram um desempenho abaixo do esperado neste ano. A produção de arroz, que atingiu 12,7 milhões de toneladas em 2025, caiu 11%, totalizando 11,3 milhões de toneladas. Essa queda se deve a uma combinação de fatores, incluindo aumento de custos, riscos climáticos e preços baixos, que levaram os produtores a reduzir a área plantada. A oferta de feijão da primeira safra também apresentou uma diminuição, recuando para 989 mil toneladas.
A soja, por outro lado, foi o grande destaque, com a safra reavaliada pelo IBGE em 174 milhões de toneladas, representando um aumento de 5% em relação à estimativa anterior. Em 2025, a oleaginosa já havia registrado um crescimento de 13%. O milho de verão também teve um desempenho positivo, com a produção alcançando 30 milhões de toneladas, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. O Rio Grande do Sul, principal produtor, viu sua safra crescer 22% devido a condições climáticas favoráveis. A previsão total para a safra de grãos do país, inicialmente estimada em 333 milhões de toneladas, foi revista para 349 milhões.
A pecuária continua a ser um fator crucial para o crescimento do PIB do agronegócio, com dados do primeiro trimestre de 2026 mostrando um aumento no número de abates e na produção de carne. A avicultura, por exemplo, aumentou a oferta de carne de frango em 7%, enquanto a pecuária bovina e suinocultura cresceram 5% e 3%, respectivamente.
O setor do café também deve contribuir positivamente para o PIB nos próximos trimestres, com uma produção recorde prevista de 66 milhões de sacas. A produção de café arábica, por sua vez, deverá subir 20% neste ano. Contudo, a segunda safra de milho, conhecida como safrinha, pode impactar negativamente os indicadores, com uma previsão de colheita de 109 milhões de toneladas, 6% a menos do que no ano anterior.
Além disso, o trigo, que está sendo plantado neste período, deve apresentar uma queda na produção, com os agricultores reduzindo a área cultivada devido a preços desanimadores. A expectativa é que a produção caia para 7,3 milhões de toneladas, uma redução de 7% em relação a 2025.
No geral, o PIB do agronegócio apresentou uma evolução de 2% nos três primeiros meses de 2026, em comparação aos últimos três meses do ano anterior. Essa alta é considerada normal, uma vez que a maior parte da produção de grãos ocorre no início do ano, incluindo arroz, milho de verão e soja. A pecuária, no entanto, mostrou um ritmo de produção inferior ao observado no segundo semestre de 2025.
A participação da agropecuária no PIB geral é de 7,1%, o maior percentual desde 2021, quando atingiu 7,7%. O setor ganhou espaço em relação à indústria, que perdeu representatividade nesse indicador.

