A apuração das eleições em Israel, realizadas na última terça-feira (27), mostra o partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, à frente com 22,2% dos votos, com 32,5% das urnas já contabilizadas. O principal partido de oposição, Yashar, sob a liderança de Gadi Eisenkot, aparece em segundo lugar, com 15,4% dos votos. Apesar da vantagem inicial, a contagem ainda é incipiente e não permite prever a composição final do Parlamento ou quem assumirá o próximo governo. Os israelenses compareceram em massa às urnas, sendo esta a primeira eleição após os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadearam conflitos em Gaza, Líbano e Irã. A participação eleitoral atingiu 77,7%, a maior desde 1999, em um país onde o voto não é obrigatório. As pesquisas de boca de urna indicavam uma disputa acirrada. De acordo com o Canal 12, o Likud deve conquistar 24 das 120 cadeiras do Knesset, enquanto o Yashar deve garantir 22 assentos. O bloco de oposição, que inclui Yashar e outros partidos, somaria 52 cadeiras, em contraste com as 50 dos aliados de Netanyahu. As listas árabes, por sua vez, ficariam com 18 assentos, o que significa que nenhum dos grupos atingiria os 61 parlamentares necessários para formar uma maioria. Em declarações feitas antes da apuração, Netanyahu reafirmou que o Likud é o maior partido do país e expressou sua intenção de formar um novo governo “forte de direita”. Ele enfatizou a necessidade de união da maioria judaica e sionista, afirmando que “é impensável ter um governo que conte com o apoio de partidos árabes”. Além disso, Netanyahu mencionou uma “oportunidade única” de, junto ao ex-presidente Donald Trump, “eliminar para sempre a ameaça existencial do Irã”. Por outro lado, Eisenkot afirmou que os resultados iniciais demonstram uma falta de confiança em Netanyahu e prometeu trabalhar para substituí-lo. O chanceler Gideon Saar, do Likud, contestou as comemorações da oposição, considerando-as prematuras. A formação do próximo governo dependerá de complexas negociações entre os partidos, uma vez que os israelenses não elegem diretamente o primeiro-ministro. Eles votam em listas partidárias, que recebem cadeiras proporcionalmente aos votos, desde que superem a cláusula de barreira de 3,25%. Após a apuração, o presidente Isaac Herzog consultará as legendas e encarregará um parlamentar de tentar formar o governo, não necessariamente o líder do partido mais votado. O indicado terá 28 dias, prorrogáveis por até 14, para negociar uma coalizão. Se não obtiver sucesso, a lei prevê novas tentativas antes de uma eventual nova eleição. Existe também a possibilidade de um governo minoritário, sustentado por apoio externo. Até que um novo gabinete obtenha a confiança do Parlamento, Netanyahu continuará no cargo. As eleições ocorrem em um contexto de debates sobre o custo de vida, segurança nacional, alistamento militar de ultraortodoxos e as falhas do 7 de Outubro, quando o Hamas matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns em Israel. Com mais de 19 anos acumulados no poder, Netanyahu, de 77 anos, busca se manter à frente do governo em um cenário político cada vez mais desafiador.




