Novas evidências, incluindo vídeos obtidos pela BBC, sugerem um possível envolvimento da Arábia Saudita nos atentados de 11 de setembro de 2001. Os materiais, que estavam em posse do FBI desde poucos dias após os ataques, mostram Omar al-Bayoumi, um homem central em um processo judicial contra o governo saudita, interagindo com figuras ligadas à Al Qaeda. Bayoumi, que sempre negou qualquer ligação com o extremismo, aparece em imagens abraçando Anwar al-Awlaki, um dos líderes da Al Qaeda na península Arábica, e participando de atividades de paintball com ele e outros indivíduos vinculados ao governo saudita.
Esses vídeos foram apresentados como parte de um processo de US$ 1 trilhão movido por familiares das vítimas dos ataques, que alegam que a Arábia Saudita foi cúmplice nos atentados. A ação judicial destaca que Bayoumi ajudou dois dos 19 sequestradores que pilotaram os aviões contra o World Trade Center e o Pentágono, além de outro que caiu na Pensilvânia. Bayoumi foi preso no Reino Unido logo após os ataques, e as gravações foram encontradas entre seus pertences, juntamente com um diagrama de um avião e uma equação matemática relacionada ao voo. Embora o FBI tenha recebido cópias do diagrama, ele não foi compartilhado com as autoridades britânicas que interrogavam Bayoumi, nem com a Comissão do 11 de Setembro, que investigou os ataques.
Após um juiz decidir em 2018 que o processo poderia prosseguir, milhares de documentos, vídeos e fotografias foram liberados sob uma ordem executiva do ex-presidente Joe Biden. A BBC analisou esses materiais e conversou com agentes do FBI para entender por que as evidências relacionadas a Bayoumi e à Arábia Saudita não foram completamente investigadas ao longo de 25 anos.
Omar al-Bayoumi chegou aos Estados Unidos em 1994, alegando ser estudante de inglês, mas registros judiciais indicam que ele abandonou os estudos e se dedicou a organizar eventos religiosos. Um vídeo gravado por ele em 1997 mostra Bayoumi e outros homens, incluindo Awlaki, jogando paintball, uma atividade que o FBI identificou como possível treinamento para jihadistas. Durante essas atividades, alguns participantes eram vistos gritando “Allahu Akbar”.
Embora a pregação extremista de Awlaki tenha se intensificado após os ataques, ele já tinha laços com a Al Qaeda na época em que os vídeos foram gravados. Awlaki foi morto em um ataque de drone da CIA em 2011. A Arábia Saudita, por sua vez, afirmou que os vídeos não provam quem os produziu ou gravou.
Em um interrogatório remoto no âmbito do processo, Bayoumi insistiu que não conhecia Awlaki, mas a evidência em vídeo que contradiz essa afirmação só foi disponibilizada ao tribunal um ano depois. Outro vídeo, que mostra Bayoumi abraçando Awlaki em 1998, foi incluído nos registros públicos em setembro deste ano. Além disso, imagens mostram Bayoumi em encontros com autoridades sauditas, evidenciando suas conexões com o Ministério dos Assuntos Islâmicos, que é conhecido por promover uma visão radical do islamismo sunita.
Após os ataques, Bayoumi foi um dos primeiros suspeitos na investigação do FBI, e seu nome apareceu em um contrato de aluguel assinado por ele e um dos sequestradores. A revelação de novas evidências e vídeos pode mudar a percepção sobre o envolvimento da Arábia Saudita e de Bayoumi nos ataques de 11 de setembro, um evento que continua a impactar as relações internacionais e a segurança global até hoje.



