Post: Novo presidente do Peru enfrenta Congresso que destituiu quatro líderes em dez anos

Novo presidente do Peru enfrentará um Congresso instável que destituiu quatro presidentes em dez anos, refletindo a insatisfação popular.
Novo presidente do Peru enfrenta Congresso que destituiu quatro líderes em dez anos

A eleição do novo presidente do Peru, marcada para este domingo (7), representa apenas o primeiro passo em um cenário político repleto de desafios. O futuro líder, seja ele Keiko Fujimori ou Roberto Sánchez, terá que navegar por um Congresso que, nos últimos dez anos, destituiu quatro dos nove presidentes que passaram pela Casa de Pizarro. Essa instabilidade política reflete a crescente força do Legislativo peruano, que desde 2016 tem exercido um papel decisivo na governança do país, muitas vezes em detrimento da estabilidade do Executivo.

O sistema político peruano, que historicamente é presidencialista, tem se assemelhado a um parlamentarismo, onde o Congresso detém um poder considerável. Essa mudança de dinâmica é um reflexo da insatisfação popular, com 93% da população desaprovando a atuação do Congresso, segundo pesquisa do Instituto de Estudos Peruanos realizada em maio de 2025. Esse índice se mantém acima dos 90% desde março de 2023, evidenciando um descontentamento generalizado com a classe política.

As eleições também demonstraram esse descontentamento, com a campanha #PorEstosNo incentivando os eleitores a não reeleger políticos. Como resultado, apenas 24 dos 130 membros do Congresso foram mantidos, um sinal claro da rejeição popular. Além disso, em 2024, o Congresso aprovou a recriação do Senado, extinto em 1992, mesmo após uma rejeição massiva da população em um referendo anterior.

A nova configuração legislativa, que volta a operar com duas casas pela primeira vez em mais de 30 anos, levanta questões sobre a estabilidade política futura. Especialistas estão divididos: alguns acreditam que a presença do Senado pode fortalecer o Legislativo, tornando mais difícil para o presidente dissolver a Câmara dos Deputados. Outros argumentam que a necessidade de aprovar decisões em duas casas pode trazer mais estabilidade ao processo legislativo.

O partido de Keiko Fujimori, Força Popular, continua a ser a principal força no Congresso, mantendo 41 das 130 cadeiras na Câmara e duas no Senado. Essa predominância pode complicar ainda mais a governabilidade do novo presidente, que terá que lidar com um Legislativo que já demonstrou sua disposição em destituir líderes e desafiar a autoridade do Executivo. O futuro do Peru, portanto, dependerá da capacidade do novo presidente de estabelecer um diálogo eficaz com um Congresso que tem se mostrado um obstáculo significativo à governança estável.

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