A Diocese de Jundiaí, sob a liderança do bispo dom Arnaldo Carvalheiro Neto, oficializou na última quinta-feira a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva. A decisão foi tomada após o sacerdote se integrar à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), uma organização que se separou da Igreja Católica ao ordenar bispos sem a autorização do papa Leão XIV. Com essa excomunhão, todos os atos religiosos realizados por ele em seu ministério são considerados nulos.
A FSSPX é vista como um grupo cismático, uma vez que não reconhece a autoridade do papa em questões de fé e governo. A recente crise foi acentuada pela ordenação de quatro novos bispos pela FSSPX em julho de 2026, ato realizado sem a permissão papal. De acordo com as normas da Igreja, a participação em um grupo que desafia a autoridade papal resulta em expulsão automática da comunhão católica.
Para os fiéis que frequentam as atividades do padre Rodrigo, a situação é alarmante. O bispo diocesano enfatizou que os sacramentos ministrados por ele, como a confissão e o matrimônio, agora são considerados inválidos. Além disso, as missas e outros ritos celebrados no espaço que ele coordena em Campo Limpo Paulista são irregulares. Dom Arnaldo alertou que leigos que se unirem formalmente à FSSPX também poderão enfrentar a mesma pena de excomunhão.
Fundada em 1970, a FSSPX é um grupo tradicionalista que rejeita as mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II, realizado na década de 1960. A organização se opõe à missa moderna, celebrada em português, e defende a missa tridentina, que é rezada em latim e de costas para o povo. Além disso, o grupo é contra o diálogo inter-religioso e a separação entre Igreja e Estado. Enquanto outras comunidades celebram a missa antiga em comunhão com o papa, a FSSPX não possui um status reconhecido na hierarquia católica devido ao seu histórico de desobediência.
Antes da confirmação da excomunhão, o padre Rodrigo divulgou um vídeo explicando sua decisão de deixar a paróquia de Ivoturucaia para se dedicar à FSSPX. Ele expressou a preferência por atuar em uma paróquia regular, mas criticou as estruturas atuais da Igreja, alegando que estão mergulhadas em uma crise de doutrina e modernismo. Atualmente, o padre realiza campanhas para arrecadar fundos com o objetivo de adquirir um imóvel em Campo Limpo Paulista, onde pretende estabelecer seu novo centro de culto.



