Post: Mulheres denunciam abusos de procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional

Duas mulheres denunciam Karim Khan, procurador-chefe do TPI, por abusos sexuais em entrevista à CNN. Khan nega as acusações.
Mulheres denunciam abusos de procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional

Duas mulheres que acusam o procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, de abuso sexual falaram publicamente sobre suas experiências em uma entrevista à CNN, conduzida pela jornalista Christiane Amanpour. As declarações surgem em um momento crítico para Khan, que foi afastado de suas funções em junho, após uma investigação de 18 meses sobre as alegações.

Uma das acusadoras, identificada apenas como Sarah, relatou que, durante uma viagem oficial à Colômbia, Khan teria invadido seu quarto de hotel e cometido atos de abuso. “Era como se os limites estivessem sendo invadidos gradualmente – não apenas fisicamente, mas também emocionalmente”, afirmou. Ela descreveu um incidente em que, enquanto fingia estar dormindo, Khan teria colocado as mãos dentro de suas calças, apalpando seu corpo e encostando a língua em seu ouvido. Khan nega todas as acusações.

Outra mulher, que se apresentou sob o pseudônimo Patrícia, também compartilhou sua experiência. Ela afirmou que, durante um estágio em 2009, foi obrigada a trabalhar na casa de Khan e sofreu assédio sexual constante. “Sem falta, todas as vezes que eu estava lá, era um assédio constante dele, me apalpando, me agarrando, beijando meu rosto, tocando meu cabelo”, disse. A advogada de Khan, Sareta Asraph, afirmou que os relatos não são novidade e que seu cliente continua a negar as acusações, ressaltando que as provas coletadas apresentam um quadro diferente do que foi exposto.

As declarações das mulheres ocorrem em um contexto delicado, uma vez que Khan, eleito procurador-chefe do TPI em 2021, já emitiu mandados de prisão contra figuras proeminentes, incluindo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e líderes do grupo terrorista Hamas. O tribunal e Khan se tornaram alvos de sanções dos Estados Unidos devido a essas ações. A investigação que levou ao afastamento de Khan considerou que ele cometeu uma falta grave, e a conclusão será submetida à votação dos 125 membros do tribunal, que decidirão sobre sua possível destituição. A situação continua a se desenrolar, e a pressão sobre Khan aumenta à medida que mais detalhes sobre os abusos alegados vêm à tona. O TPI, que tem a missão de perseguir crimes de guerra e crimes contra a humanidade, agora enfrenta um desafio interno significativo, que poderá impactar sua credibilidade e funcionamento.

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