Post: Governo de SP interrompe empréstimos consignados com o Banco Digimais

Governo de SP suspende novos empréstimos consignados com o Banco Digimais após Operação Miragem da PF.
Governo de SP interrompe empréstimos consignados com o Banco Digimais

O governo do estado de São Paulo decidiu suspender a contratação de novos empréstimos consignados para servidores com o Banco Digimais. A medida foi anunciada logo após a deflagração da Operação Miragem, conduzida pela Polícia Federal, que investiga possíveis crimes financeiros envolvendo a instituição, ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da RecordTV.

A suspensão foi formalizada na edição de 29 de junho do Diário Oficial do Estado de São Paulo, com a assinatura de Caio Paes de Andrade, secretário de gestão e governo da administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A Polícia Federal, em 23 de junho, cumpriu nove mandados de busca e apreensão contra diretores e conselheiros do banco, além de empresas associadas a ele. A Justiça Federal em São Paulo autorizou o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 670 milhões e a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados.

As investigações apontam que os envolvidos no esquema do Digimais teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros para ocultar a real situação financeira da instituição, com o intuito de apresentar uma saúde financeira favorável aos órgãos de controle, permitindo a realização de operações irregulares. A representação da PF, que embasou as apurações, está sob sigilo e menciona que o “Digimais, sob o controle de Edir Macedo, adotou práticas financeiras temerárias, semelhantes às do extinto Banco Master”, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Em resposta, o Banco Digimais afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações. A instituição reafirmou seu compromisso com a transparência e a conformidade regulatória.

Dados divulgados pela plataforma IF Data do Banco Central, referentes a março de 2026, mostram que o Digimais tinha R$ 1,6 bilhão emprestados a pessoas físicas, dos quais R$ 701 milhões (mais de 40%) eram em consignação em folha de pagamento. O banco reportou ativos totais de R$ 10 bilhões e um prejuízo de R$ 108,4 milhões no primeiro trimestre do ano, contrastando com um lucro líquido de R$ 31 milhões no ano anterior.

Nos últimos anos, a instituição tem enfrentado dificuldades financeiras, levando Edir Macedo a injetar recursos no banco e a considerar sua venda. A pressão financeira se reflete na alta rentabilidade de seus CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que chegaram a oferecer 130% do CDI, superando a média do mercado. O banco também recebeu um aporte do Grupo Record, que atualmente detém cerca de R$ 2 bilhões em ativos.

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