O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) se destacou na recente votação que resultou no fim da escala 6×1, sendo o único a se opor à proposta aprovada por 75 votos a 1 no Senado. A votação, que ocorreu na quarta-feira (14), foi marcada por um consenso entre os colegas de Mourão, que se mostraram favoráveis à mudança na jornada de trabalho.
Em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, Mourão expressou surpresa com a falta de apoio entre seus pares, afirmando que o assunto não foi discutido previamente no partido. “Eu tinha esperança de que pelo menos uns 10, 12 estivessem comigo nessa votação”, comentou. Para ele, a decisão de seus colegas foi influenciada por compromissos específicos, enquanto outros não sentiram a necessidade de se manifestar contra a proposta.
O ex-vice-presidente da República rejeitou a ideia de solidão política, afirmando que tem recebido apoio da população em diversas esferas. “Óbvio que tem gente que quer me jogar um tamanco na cabeça, mas tem bastante gente que me cumprimentou”, disse, em tom descontraído.
Mourão defende uma abordagem alternativa para a jornada de trabalho, alinhando-se à proposta de emenda constitucional (PEC) que prevê liberdade contratual e pagamento por horas trabalhadas, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN). Ele citou sua própria experiência, mencionando que sua funcionária, que trabalha quatro dias por semana, consegue manter a produtividade necessária.
Ao ser questionado sobre a desigualdade nas relações de trabalho, Mourão destacou que a negociação deve ser baseada em qualificação e que a fixação de uma escala na Constituição pode engessar essas relações. Ele argumentou que o Brasil precisa aumentar sua produtividade antes de considerar uma redução na carga horária.
Além disso, Mourão já havia manifestado sua posição contrária à PEC em entrevistas anteriores, chamando-a de eleitoreira e questionando a falta de discussão em 2023. Ele alertou que o custo da mudança será repassado a trabalhadores e consumidores, resultando em demissões e aumento de preços, uma consequência que, segundo ele, só será percebida no próximo ano.




