Na segunda-feira (26), investidores estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da Bolsa brasileira, seguindo a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. Apesar do montante significativo, a retirada foi um pouco inferior ao saldo negativo de R$ 2,9 bilhões registrado na sexta-feira anterior (23), de acordo com dados da plataforma Dados de Mercado, que monitora o fluxo de capital na B3.
A saída de recursos na última sexta-feira foi a maior desde 11 de agosto, quando R$ 4,7 bilhões foram retirados. Naquela ocasião, o mercado foi impactado pela ata do Copom, que defendeu a manutenção de juros elevados, e por uma pesquisa eleitoral que mostrava Lula 11 pontos à frente de Flávio Bolsonaro.
Apesar das retiradas recentes, o saldo de investidores estrangeiros continua positivo tanto no mês quanto no ano. Segundo a B3, as entradas superam as saídas em R$ 13,3 bilhões neste mês, e no acumulado de 2026, o saldo é positivo em R$ 45,4 bilhões.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, aponta que esse movimento reflete uma redução de posições por parte dos investidores estrangeiros, iniciada na sexta-feira, em função do temor de exposição às eleições. “O desmonte do trade eleitoral ocorreu porque o cenário projetado não se confirmou”, explica.
Na pesquisa do Datafolha realizada na quinta-feira (22), Lula e o senador estavam empatados, com 50% dos votos válidos cada um. No entanto, Lula obteve 51,79% dos votos válidos no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 48,21%.
A forte queda da Bolsa na segunda-feira, que encerrou o pregão com uma desvalorização de 13,88%, foi a maior desde 16 de março de 2020, quando os impactos da pandemia ainda eram debatidos. Essa queda acentuada levou a B3 a acionar o circuit breaker, um mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos bruscos de queda.
Outros ativos também foram afetados. O dólar teve a maior valorização diária desde 1999, e os juros futuros dispararam mais de 250 pontos-base. Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, observa que as movimentações devem continuar intensas nos próximos dias, mesmo com o saldo positivo dos investidores estrangeiros. “O mercado deve permanecer em um limbo enquanto se aguarda a definição da equipe pelo governo”, afirma.
A reação negativa dos ativos brasileiros, somada à incerteza política, mantém os investidores em alerta, refletindo a cautela em um cenário de volatilidade.



