A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma ferramenta essencial na medicina nos Estados Unidos, atraindo a atenção de médicos e investidores. Uma startup relativamente desconhecida, a OpenEvidence, viu sua avaliação disparar para impressionantes US$ 15 bilhões, impulsionada pelo crescente uso de sua plataforma por profissionais de saúde. Fundada em 2022 por Daniel Nadler, a empresa sediada em Miami registrou, no último mês, mais de 42 milhões de consultas feitas por cerca de 1 milhão de médicos, que utilizam a IA para acessar estudos científicos e orientações clínicas, facilitando diagnósticos e tratamentos.
A OpenEvidence, que opera com um modelo de negócios baseado em anúncios, tem se destacado em um setor onde poucas ferramentas conseguiram ganhar a mesma adesão. “Somos o primeiro aplicativo de internet voltado ao consumidor na área da saúde a se tornar viral”, afirmou Nadler em entrevista ao Financial Times. A plataforma tem recebido elogios de médicos, que relatam uma redução na carga de trabalho, embora a empresa enfrente desafios com a concorrência de gigantes como OpenAI e Anthropic, que estão expandindo suas operações no setor médico.
Nos últimos 18 meses, a OpenEvidence atraiu quase US$ 1 bilhão em investimentos, com um aporte recente de US$ 250 milhões, que elevou sua avaliação a US$ 15 bilhões. A empresa já havia garantido US$ 100 milhões em compromissos publicitários para 2026, prevendo receitas entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões até o final do ano.
A aceitação da OpenEvidence entre médicos tem sido facilitada por sua lista restrita de fontes, que inclui periódicos científicos respeitados, como o New England Journal of Medicine. Médicos como Nina Singh, residente da Universidade da Califórnia em San Francisco, destacam a utilidade da ferramenta para fornecer contexto e informações rápidas sobre pacientes. A startup também tem estabelecido parcerias com hospitais renomados, como o Mount Sinai Health System e o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, onde a plataforma foi integrada aos sistemas de prontuário eletrônico.
Contudo, a OpenEvidence não está isenta de críticas. Especialistas questionam a sustentabilidade de seu modelo de negócios e a precisão das informações fornecidas. A saída da empresa dos mercados da União Europeia e do Reino Unido, devido à legislação sobre IA, também levanta preocupações sobre sua capacidade de expansão. Além disso, estudos sobre a eficácia da ferramenta têm apresentado resultados mistos, com algumas pesquisas indicando que a OpenEvidence teve desempenho inferior a modelos de IA mais gerais, como o Gemini do Google e o GPT da OpenAI.
Apesar dos desafios, a OpenEvidence planeja lançar ensaios clínicos em parceria com pesquisadores focados em câncer e doenças raras. A empresa busca aplicar modelos de IA na descoberta de medicamentos, utilizando dados de publicações científicas para gerar novas hipóteses de pesquisa. Nadler acredita que o potencial econômico dessa abordagem superará qualquer receita proveniente de hospitais ou anunciantes. A crescente adoção da OpenEvidence pelos médicos pode ser um indicativo de que a startup possui um diferencial competitivo em um mercado em rápida evolução, onde a precisão e a confiabilidade das ferramentas de IA são cada vez mais cruciais.




