Em meio a um cenário político conturbado, os Estados Unidos estão promovendo negociações para uma transição na Venezuela, com a participação da vice-presidente Delcy Rodríguez, enquanto a líder da oposição, María Corina Machado, permanece excluída das conversas. Atualmente em Panamá, Machado não faz parte da mesa de diálogo em Caracas, onde Rodríguez se mantém como a principal interlocutora do governo venezuelano junto a Washington.
Nesta semana, María Corina Machado intensificou suas críticas ao empresário Alejandro Betancourt, a quem acusou de “corrupção obscena” em uma entrevista ao The New York Times. Betancourt, que se tornou um dos principais aliados da administração Trump no setor petrolífero da Venezuela, firmou um acordo que lhe confere controle sobre aproximadamente 20% das reservas de petróleo do país. Essa crítica é delicada, pois Machado busca manter uma boa relação com figuras influentes como Trump e Marco Rubio, enquanto os EUA direcionam a transição política de uma forma que difere de suas expectativas.
Os Estados Unidos, ao que tudo indica, decidiram manter Delcy Rodríguez no poder, mesmo após a queda do presidente Nicolás Maduro. Em suas declarações, Machado expressou sua frustração por não ter sido incluída nas negociações, afirmando que tentou retornar à Venezuela por diversas rotas, sem sucesso. Ao ser questionada sobre a escolha americana de apoiar Rodríguez, ela reconheceu a lógica de uma transição gradual, mas acredita que poderia ter ocorrido sem a presença da vice-presidente do regime. “Mas é o que temos, e aqui estamos”, resumiu Machado.
Outra figura emergente nas negociações é Dinorah Figuera, ex-deputada que retornou à Venezuela após anos no exílio. Figuera agora lidera a delegação opositora nas conversas com o chavismo, recebendo apoio dos EUA. Recentemente, ela foi recebida por Marco Rubio em Washington. Figuera preside a Assembleia Nacional, que é dominada pela oposição e foi eleita em 2015, embora sua legitimidade derive dessa institucionalidade, e não do recente mandato político que Machado e Edmundo González tentam estabelecer para as eleições de 2024.
A ironia do novo arranjo é que a mesa de negociações, da qual Machado está ausente, discute a possibilidade de revogar inabilitações políticas, incluindo a dela, para futuras eleições. Além disso, estão em pauta mudanças nas regras e instituições eleitorais, mas ainda não há uma data definida para a votação.
Do outro lado da mesa de negociações, Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e presidente da Assembleia Nacional, participa ativamente. Recentemente, os EUA decidiram retirar as sanções impostas ao dirigente chavista, o que indica uma mudança na dinâmica das relações entre Washington e o regime de Caracas. Enquanto isso, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, enfrentam problemas legais em Manhattan, onde se declararam inocentes de acusações de conspiração para cometer tortura, além de outras acusações que respondem na Justiça americana. A situação continua a evoluir, e o futuro político da Venezuela permanece incerto.




