A recente iniciativa de clubes esportivos em oferecer congelamento de óvulos para atletas é um passo importante, mas ainda insuficiente para garantir os direitos reprodutivos das mulheres no esporte. A jornalista Marina Izidro, que congelou seus óvulos anos atrás, reflete sobre a importância dessa prática e os desafios que ainda persistem. Ela destaca que, apesar de ser uma ferramenta valiosa, o congelamento deve ser parte de um suporte mais amplo para as atletas, que frequentemente enfrentam dilemas entre carreira e maternidade.
Nos últimos anos, a discussão sobre os direitos reprodutivos das atletas ganhou destaque. A liga norte-americana de futebol feminino já oferece congelamento de óvulos gratuito há cinco anos, e recentemente, iniciativas semelhantes foram adotadas pela Real Federação Espanhola de Futebol e pelo Chelsea, na Inglaterra. O São Paulo também anunciou uma parceria para oferecer esse serviço, evidenciando a crescente conscientização sobre o tema.
Entretanto, a vitória é apenas parcial. As atletas ainda enfrentam um ambiente desafiador, onde a pressão para performar no auge da carreira coincide com o período fértil. Em 2021, a FIFPro e a FIFA aprovaram a licença-maternidade de 14 semanas, mas ainda é alarmante que apenas 2% das jogadoras sejam mães, com muitas considerando deixar o esporte devido à falta de suporte.
O congelamento de óvulos, embora uma opção viável, não deve ser visto como a única solução. Os custos associados ao processo, que incluem a manutenção dos óvulos e tratamentos adicionais, podem ser proibitivos. Portanto, é essencial que as iniciativas incluam apoio financeiro abrangente e educação sobre os riscos e realidades do congelamento.
Além disso, é crucial que as atletas não se sintam pressionadas a adiar a maternidade por medo de prejudicar suas carreiras. A mudança de mentalidade nas instituições esportivas é fundamental para garantir que as jogadoras possam ter filhos quando desejarem, sem medo de represálias ou perda de oportunidades. Os clubes devem ser elogiados por suas iniciativas, mas também precisam se comprometer a criar um ambiente que acolha a maternidade em todas as fases da carreira das atletas. O caminho é longo, mas cada passo em direção à equidade e ao respeito pelos direitos reprodutivos das mulheres no esporte é uma conquista significativa. As atletas merecem um suporte que vá além do congelamento de óvulos, garantindo que possam conciliar suas aspirações profissionais e pessoais de forma justa e digna.


