A construção de uma carteira de aposentadoria é uma tarefa que muitos começam a considerar quando se aproximam da idade de se aposentar. No entanto, essa estratégia pode não ser a mais adequada para todos. Ao pensar em aposentadoria, é comum que as pessoas busquem ações que pagam bons dividendos, fundos imobiliários com rendimentos mensais e títulos que oferecem cupons. Embora essa abordagem pareça prudente, ela pode ser, na verdade, contraproducente para quem ainda está na fase de acumulação de patrimônio. Para aqueles que ainda estão ativos no mercado de trabalho, recebendo salários e reinvestindo os retornos de seus investimentos, o foco deve estar no crescimento do patrimônio, e não na geração de renda imediata. O retorno total do investimento, que inclui dividendos, juros, aluguéis e valorização, é o que realmente importa. O formato pelo qual esse retorno chega ao investidor torna-se secundário enquanto o dinheiro não estiver sendo utilizado para cobrir despesas. Por exemplo, considere dois investimentos de R$ 100 mil. O primeiro distribui R$ 8.000 ao longo do ano e termina valendo R$ 102 mil, enquanto o segundo não distribui nada, mas termina valendo R$ 110 mil. Ambos geraram R$ 10 mil, mas a forma como isso ocorreu é diferente. Para um investidor que ainda não precisa da renda, o que realmente conta é o crescimento do patrimônio. A busca prematura por renda pode levar a escolhas inadequadas na construção da carteira. Muitas vezes, os investidores começam a priorizar empresas maduras que distribuem uma parcela maior dos lucros, fundos imobiliários ou títulos com cupons, simplesmente porque conseguem ver o dinheiro entrando na conta. Essa visão pode obscurecer oportunidades de investimentos com maior potencial de crescimento. Embora ações de dividendos e fundos imobiliários possam ser parte de uma carteira sólida, o erro está em escolhê-los apenas por causa do fluxo de caixa, quando esse fluxo ainda não é necessário. Além disso, receber renda antes de precisar dela pode acarretar custos, como a antecipação de impostos e a necessidade de reinvestir o dinheiro, o que pode gerar mais custos de transação. Outro ponto a ser considerado é que os ativos que geram renda atualmente podem não ser os melhores quando a aposentadoria finalmente chegar. Empresas evoluem, setores mudam, e novos investimentos surgem. Portanto, não há garantia de que a carteira ideal para gerar renda em 2046 seja composta pelos mesmos ativos que parecem adequados em 2026. O foco deve estar na fase atual da vida do investidor. Durante a construção do patrimônio, o objetivo deve ser o crescimento e o retorno total, respeitando sempre o risco adequado. Quando chega o momento de usufruir do patrimônio, a necessidade muda: é preciso transformar parte desse patrimônio em recursos que possam financiar as despesas. Além disso, mesmo após a aposentadoria, não é necessário converter todo o patrimônio em uma carteira de renda. Aqueles que se aposentam aos 65 anos podem precisar desse dinheiro por muito mais tempo, até os 90 ou 100 anos. Portanto, a estratégia de investimento deve ser adaptável e focada no longo prazo.


