Post: André Lara Resende desmente rumores sobre encontro com Lula e defende proposta de conselho econômico

André Lara Resende desmente rumores sobre encontro com Lula e defende proposta de conselho econômico para reduzir a Selic.
André Lara Resende desmente rumores sobre encontro com Lula e defende proposta de conselho econômico

O economista André Lara Resende, conhecido por sua atuação como presidente do BNDES e por sua contribuição ao Plano Real, se manifestou sobre as especulações de que estaria em contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou: “Não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado [para apresentar a ideia a ele].” Resende acredita que as informações divulgadas foram plantadas para desacreditar sua proposta de criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), que visa a redução da taxa Selic a longo prazo.

A proposta, que gerou intenso debate no mercado financeiro, surgiu a partir de um artigo publicado por Resende em sua newsletter na plataforma Substack. No texto, ele argumenta que a taxa básica de juros no Brasil é excessivamente alta e que isso contribui para o déficit fiscal do país. “Não significa que o Brasil não tenha problemas com gastos públicos, mas esses não são os principais responsáveis pelo déficit”, explicou.

Resende apontou que o desequilíbrio das contas públicas é mais influenciado pelos altos juros do que pelos gastos governamentais. Ele descreveu a situação como uma “bolsa-rentista”, onde os juros da dívida pública são pagos principalmente aos mais ricos, o que, segundo ele, agrava a desigualdade de renda.

A repercussão de sua proposta ganhou força quando a deputada federal Gleisi Hoffmann compartilhou seu artigo nas redes sociais, destacando sua relevância para a política fiscal brasileira. Isso gerou a expectativa de que Resende poderia ser um dos nomes considerados para o futuro Ministério da Fazenda de Lula, especialmente em um momento em que o presidente expressou seu descontentamento com a elevada taxa Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano.

“Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso”, disse Resende, referindo-se à pressão que sua proposta está enfrentando. Ele acredita que o CFMN poderia ajudar a coordenar as expectativas sobre juros e política fiscal, mas ressalta que a implementação do plano depende da aprovação do Congresso Nacional, já que o Banco Central não possui autonomia para criar conselhos próprios.

Resende também mantém um diálogo com o economista americano John Cochrane, que elogiou sua proposta, embora tenha ressaltado que ela se baseia mais em teorias do que em práticas. No entanto, a proposta não foi bem recebida por todos; críticos, incluindo economistas de esquerda, alertaram que poderia levar à fuga de capitais e à desvalorização do real, impactando a inflação e os salários.

Em meio a esse cenário, Resende reafirma que sua proposta é uma tentativa de abordar a questão dos juros de forma mais eficaz, sem recorrer a tabelamentos. Ele argumenta que os números apresentados em seu artigo são indicativos e que a trajetória da taxa de juros deve ser avaliada conforme as circunstâncias.

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