A Comissão Europeia abriu uma investigação formal contra a Sanofi, uma das principais farmacêuticas do mundo, para apurar se a empresa realizou uma campanha de comunicação enganosa direcionada a profissionais de saúde na Alemanha e na França. O foco da investigação é a vacina contra a gripe Efluelda, fabricada pela Sanofi, que concorre com a Fluad, produzida pela CSL Seqirus. A preocupação da Comissão é que a Sanofi tenha depreciado a Fluad, apresentando-a como inferior e contradizendo as recomendações oficiais de vacinação em diversos países da União Europeia.
As alegações levantadas pela Comissão incluem a sugestão de que a base de evidências para a Fluad é menos robusta do que a da Efluelda. Além disso, a Sanofi teria insinuado que as recomendações nacionais para a Fluad na Alemanha estão sujeitas a objeções científicas não resolvidas, o que poderia induzir os profissionais de saúde a desconsiderar a vacina concorrente.
A investigação surge em um contexto em que a Sanofi já enfrenta desafios significativos em sua linha de produtos, especialmente após reveses em ensaios clínicos de tratamentos para esclerose múltipla e eczema. A empresa, que depende fortemente do sucesso de seu medicamento Dupixent, que representa mais de um terço de suas receitas, está sob pressão para desenvolver novos tratamentos antes que a exclusividade de patente do Dupixent expire no início da década de 2030.
Teresa Ribera, responsável pela concorrência na UE, destacou a importância de avaliações científicas imparciais para a saúde pública e afirmou que a Comissão está comprometida em combater práticas que possam prejudicar a concorrência e a escolha informada dos consumidores. A Sanofi, por sua vez, declarou que está colaborando com as autoridades e que acredita ter atuado em conformidade com as leis de concorrência.
Este caso representa um desafio significativo para a nova CEO da Sanofi, Belén Garijo, que assumiu o cargo recentemente. A empresa, que compete com gigantes como GSK e CSL Seqirus, deve se preparar para as possíveis consequências da investigação, que pode resultar em multas de até 10% de suas vendas globais, caso seja considerada culpada por violar as normas de concorrência.



