O Paraná se destaca no cenário econômico brasileiro com um fenômeno silencioso que molda seu mapa produtivo. Com 40 de seus 399 municípios reconhecidos como “capitais” de setores específicos, o estado movimenta impressionantes R$ 765 bilhões anualmente, consolidando-se como a quarta maior economia do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Essa diversificação industrial, impulsionada por tecnologia e inovação, gera empregos e renda, refletindo diretamente na qualidade de vida da população.
Essas denominações não são meramente simbólicas; elas representam arranjos produtivos locais altamente especializados, que são responsáveis por mais de 25 mil parques fabris e 562 mil trabalhadores com carteira assinada. Quando considerados os empregos indiretos, esse número chega a 3,3 milhões. A indústria paranaense contribui com 25% do PIB do estado, totalizando R$ 130 bilhões, e ocupa a terceira posição nacional em Valor de Transformação Industrial, superando apenas São Paulo e Minas Gerais.
O presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, destaca que o crescimento do estado é notável: “O Paraná cresce muito acima da média nacional e temos regiões onde o avanço é extraordinário, próximo dos dois dígitos ao ano”. A meta do setor industrial é transformar o Paraná na terceira economia do Brasil em menos de uma década, um objetivo que, segundo especialistas, é alcançável.
Entre as capitais produtivas visitadas pela Gazeta do Povo, Cianorte se destaca como a “Capital Nacional do Vestuário”. Com um polo industrial que integra o segundo maior centro de confecções do Brasil, a cidade produz cerca de 60 milhões de peças de jeans anualmente, representando 20% do total comercializado no país. O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Cianorte, Alberto Nabhan, ressalta que a cidade não apenas fabrica roupas, mas também gera riqueza em escala industrial.
Apucarana, a “Capital Nacional do Boné”, é outro exemplo de sucesso. O município, que produz 80% dos bonés do Brasil, conta com mais de 2 mil empresas que sustentam cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. O prefeito Rodolfo Mota destaca a importância da cidade no cenário industrial nacional, afirmando que Apucarana é um dos casos mais representativos de concentração industrial do país.
A indústria moveleira de Arapongas, reconhecida como “Capital Moveleira Nacional”, também contribui significativamente para a economia paranaense. Com quase 330 indústrias, o setor faturou cerca de R$ 5 bilhões em 2024, representando quase 10% do PIB nacional do segmento. O presidente do Arranjo Produtivo Local, Jayme Leonel, afirma que aproximadamente 10% de todos os móveis fabricados no Brasil são originários de Arapongas.
Ponta Grossa, que recentemente ganhou o título de “Capital Paranaense da Cerveja”, abriga plantas industriais de grandes marcas como Heineken e Ambev. Com uma capacidade de produção superior a 8 milhões de hectolitros por ano, a cidade se destaca como a segunda maior produtora de cerveja do Brasil. O gerente da Maltaria Campos Gerais, Vilmar Schüssler, explica que o crescimento do PIB em Ponta Grossa é resultado de um movimento integrado e regional de estímulo ao desenvolvimento.
A diversidade econômica do Paraná também é refletida em União da Vitória, reconhecida como a “Capital da Madeira”, que se especializa em produtos de alto valor agregado, como portas e painéis. A produção local alcança mercados internacionais, com exportações para os Estados Unidos, destacando-se pela qualidade e inovação.
Esses exemplos ilustram como as cidades paranaenses não apenas se especializam em setores produtivos, mas também se tornam referências nacionais e internacionais, contribuindo para o crescimento econômico do estado e do país. O Paraná, com sua rica diversidade industrial e compromisso com a inovação, está se consolidando como um polo econômico vital no Brasil.




