A seleção sub-17 de futebol do Haiti, a convite do governo brasileiro, se prepara para o Mundial do Qatar, que ocorrerá entre novembro e dezembro, em um centro esportivo da Marinha, localizado no Rio de Janeiro. O convite também foi estendido à seleção principal do Haiti, que enfrentará o Brasil na Copa do Mundo de 2026, mas foi recusado, pois a equipe já havia definido suas bases de treinamento nos Estados Unidos, um dos países anfitriões da competição.
Entre os 26 convocados para o confronto contra o Brasil na Filadélfia, apenas um jogador, o volante Woodensky Pierre, atua no futebol local, que enfrenta dificuldades devido à grave crise institucional e à violência das gangues no Haiti. A situação se agravou desde o assassinato do presidente Jovenel Moise, em julho de 2021, o que impactou diretamente o campeonato nacional.
A maioria dos jogadores da seleção haitiana atua em ligas da Europa, especialmente na França, e nas Américas, com destaque para os Estados Unidos e até o Irã. A seleção se preparou inicialmente na Flórida e, posteriormente, na Universidade Stockton, em Nova Jersey, que serviu como base oficial durante o torneio.
O convite para treinar no Brasil foi formalizado através da Embaixada do Brasil em Porto Príncipe e conta com o apoio do Instituto Guimarães Rosa, vinculado ao Itamaraty, em parceria com a ONG Viva Rio, que desenvolve projetos sociais no Haiti. O Haiti, um dos 48 países classificados para o Mundial sub-17, utilizará o Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan), no bairro da Penha, como sua base de treinamento entre setembro e outubro.
A Copa sub-17 está programada para ocorrer de 19 de novembro a 13 de dezembro, e o Haiti está no Grupo D, competindo contra França, Arábia Saudita e Uruguai. As relações diplomáticas entre Brasil e Haiti são antigas, com 98 anos de história, e foram fortalecidas pela missão de paz da ONU, a Minustah, que foi liderada pelos brasileiros entre 2004 e 2017. Além disso, a migração de haitianos para o Brasil após o terremoto de 2010 contribuiu para estreitar esses laços, com cerca de 150 mil haitianos vivendo atualmente no Brasil.
Ricardo Seitenfus, ex-representante especial da OEA no Haiti e autor de obras sobre o país, destaca que esse convite reforça os vínculos entre as duas nações. “O Haiti se tornou um país irmão do Brasil. Esse convite é um reflexo dessa relação estreita e de cooperação que se desenvolveu ao longo dos anos.”




