Instituições financeiras estão revisando suas expectativas para o mercado acionário brasileiro, impulsionadas pela euforia gerada após o primeiro turno das eleições e pela perspectiva de um maior controle das contas públicas sob uma possível administração de Flávio Bolsonaro (PL). Nesta quinta-feira (15), o UBS atualizou sua recomendação para ações brasileiras, passando de neutra para atrativa, enquanto rebaixou a avaliação dos títulos pós-fixados de neutra para desfavorável.
O Goldman Sachs, por sua vez, mantém a projeção de 215 mil pontos para o Ibovespa, destacando que a clareza no plano de governo do próximo presidente pode trazer ganhos adicionais ao índice. O banco acredita que o crescimento dos lucros das empresas em 2026 e 2027, aliado ao alívio nas taxas de juros de longo prazo, será um fator crucial para essa valorização.
A XP também se mostra otimista e vê um potencial de valorização de até 41% para a Bolsa, considerando um cenário favorável com reformas estruturais. Esse movimento se alinha à expectativa de valorização dos ativos domésticos, que já havia sido observada na semana seguinte ao pleito, quando algumas casas de análise projetaram altas de até 45% para o Ibovespa.
Parte dos investidores acredita que uma possível alternância de poder, com Flávio Bolsonaro no lugar de Lula, poderia resultar em uma política fiscal mais robusta, reduzindo a percepção de risco dos ativos brasileiros. O senador terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Ambos se enfrentarão no segundo turno, agendado para o próximo dia 25.
A expectativa é que uma gestão fiscal mais controlada permita ao governo pagar um prêmio menor para se financiar, o que tende a aliviar a curva de juros. Taxas de juros mais baixas, por sua vez, podem reduzir o custo do crédito para empresas, melhorando as perspectivas de lucro e favorecendo a Bolsa.
No pregão seguinte à votação, o Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos, enquanto o dólar recuou para menos de R$ 5. Contudo, nesta quinta-feira, a Bolsa registrou uma queda de 1,05%, fechando a 204.324 pontos, enquanto o dólar subiu 1,15%, cotado a R$ 5,088.
Apesar das expectativas otimistas, a política econômica de Flávio ainda gera incertezas. Sua equipe estuda um ajuste inicial de cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), equivalente a R$ 250 bilhões, com medidas que incluem limitar os ganhos reais de benefícios previdenciários e do BPC, além de acabar com os pisos constitucionais de gastos com saúde e educação. Flávio nega que pretenda adotar essas medidas.
De qualquer forma, o UBS considera que o momento atual é mais favorável para ativos de risco do que para aplicações em renda fixa. A probabilidade de um regime fiscal mais sólido pode impulsionar ainda mais a confiança dos investidores e a valorização da Bolsa.




