Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo preliminar que visa cessar as hostilidades por um período de 60 dias e reabrir o estreito de Hormuz, um passo significativo para futuras negociações que buscam encerrar a guerra que se arrasta há meses. Este acordo, que será formalmente assinado em Genebra na próxima sexta-feira (19), ainda deixa questões críticas, como o programa nuclear iraniano, para discussões futuras.
Embora o texto completo do acordo não tenha sido divulgado, informações disponíveis indicam que ele exige que os Estados Unidos comecem a desmantelar seu bloqueio naval ao Irã, enquanto Teerã se compromete a remover minas do estreito e reabrir a importante via marítima para a navegação. Isso, na prática, restauraria a situação ao status quo do final de fevereiro, quando a guerra teve início.
O presidente Donald Trump, em uma declaração nas redes sociais, afirmou que o acordo trará paz e segurança para a região, enquanto o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã o descreveu como um “memorando de entendimento”. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador, confirmou que as partes concordaram com uma “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”. Essa questão é particularmente relevante, pois os combates entre Israel e o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irã, eclodiram logo após o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
Embora o acordo não inclua diretamente Israel ou o Hezbollah, a situação no Líbano permanece incerta, com autoridades israelenses rejeitando a ideia de uma retirada militar. EUA e Irã concordaram em um processo de múltiplas etapas que envolve negociações mais longas. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que os compromissos do Irã sob o acordo começarão na data da assinatura, permitindo um período de 60 dias para negociações sobre questões pendentes.
Um dos pontos críticos a ser discutido na próxima rodada de negociações será o programa nuclear do Irã, que permanece sem resolução. Gharibabadi mencionou que questões nucleares estarão entre os tópicos a serem abordados. Antes da guerra, cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo transitava pelo estreito de Hormuz, que foi efetivamente fechado pelo Irã durante os conflitos, resultando em um aumento significativo nos preços globais de energia.
Trump também anunciou que o estreito seria reaberto para navegação comercial na sexta-feira, sugerindo que o Irã removeria as minas da via marítima crucial. Ele afirmou ter ordenado o fim imediato do bloqueio naval americano aos portos iranianos, que começou em abril como parte de uma estratégia para bloquear o fluxo de petróleo do Irã. Em uma entrevista ao The New York Times, Trump declarou que o estreito seria “permanentemente livre de pedágios”, restaurando a situação anterior ao início da guerra. Essa declaração impactou o preço do petróleo Brent, que caiu quase 5%, para cerca de US$ 83 o barril.
No entanto, a diplomacia iraniana indicou que pretende cobrar taxas “por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, ao invés de pedágios. O acordo preliminar deixa a questão do programa nuclear do Irã em aberto, com Gharibabadi afirmando que “questões nucleares” serão discutidas nas próximas negociações. As autoridades e diplomatas americanos identificaram quatro pontos principais para as discussões futuras: a duração da suspensão do enriquecimento de urânio pelo Irã, o futuro do estoque atual de urânio enriquecido, o destino das instalações nucleares iranianas e as inspeções do programa nuclear. Trump tem reiterado que o Irã deve abrir mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido, que os Estados Unidos e Israel temem que possa ser utilizado para a construção de armas nucleares. Por outro lado, a liderança iraniana afirma há anos que não tem intenções de desenvolver armas atômicas.
Em sua entrevista, Trump admitiu que não havia consenso alcançado e que as negociações sobre o tempo que o Irã se comprometeria a suspender seu enriquecimento de urânio estavam em andamento. O acordo em discussão limitaria o Irã a enriquecer urânio para “fins não militares”. A questão dos bilhões de dólares em ativos iranianos congelados, cerca de US$ 25 bilhões bloqueados em contas no exterior devido a sanções internacionais, também foi adiada para futuras negociações. Gharibabadi afirmou que o levantamento das sanções será abordado nas próximas discussões. O cenário permanece tenso, mas o acordo representa um passo inicial em direção à diplomacia e à resolução de conflitos na região. O desfecho das negociações e a implementação do acordo serão cruciais para determinar o futuro das relações entre os Estados Unidos e o Irã, bem como a estabilidade da região.


