Post: Crise do Ueno Bank revela fragilidades do modelo econômico paraguaio

A crise do Ueno Bank expõe contradições do modelo econômico paraguaio, revelando fragilidades estruturais que persistem no país.
Crise do Ueno Bank revela fragilidades do modelo econômico paraguaio

A recente crise do Ueno Bank destaca as contradições do modelo econômico paraguaio, evidenciando os limites de um sistema que, embora apresente crescimento, enfrenta fragilidades estruturais profundas. O banco, que se tornou um símbolo de modernização e inclusão financeira, cresceu rapidamente e, em setembro, afirmava ter mais de 3 milhões de clientes em um país com mais de 7 milhões de habitantes. Além de atuar no varejo bancário, o Ueno gerenciava recursos públicos, incluindo previdência social e pagamentos a aposentados, o que reforçava sua importância no cenário econômico local.

Apesar de indicadores positivos, como um crescimento de 6,6% em 2025 e previsões de 4,7% para 2026, a economia paraguaia ainda enfrenta problemas estruturais significativos. A baixa diversificação produtiva e a precariedade da infraestrutura são desafios que limitam a capacidade do Estado de financiar políticas públicas eficazes. Embora a taxa de desemprego tenha se mantido em 4,1% no terceiro trimestre de 2026, a informalidade persiste, com 60,1% dos trabalhadores em ocupações informais em 2025, e alarmantes 89,4% entre os jovens de 15 a 19 anos.

A política tributária conhecida como “triple 10”, que estabelece uma alíquota máxima de 10% para três dos principais tributos, pode parecer atrativa, mas, combinada com altas taxas de evasão fiscal, fragiliza a capacidade do Estado de implementar políticas públicas e enfrentar os problemas estruturais do país. No campo político, a transição democrática iniciada em 1989 não rompeu completamente com as instituições e burocracias do regime anterior, limitando a capacidade de implementar mudanças efetivas.

A estrutura de governo centralizada, dominada pelo Partido Colorado, contribui para a fragilidade institucional, dificultando a implementação de políticas públicas e reforçando a concentração de poder. Essa herança histórica também condiciona a atuação internacional do Paraguai, que frequentemente se vê limitado por uma estratégia de inserção internacional que depende das dinâmicas impostas por Argentina, Brasil e Estados Unidos.

A economia paraguaia, ainda concentrada em poucos setores, enfrenta dificuldades para diversificar suas exportações e aproveitar as oportunidades oferecidas pelo Mercosul. A dependência de importações para revenda e a venda de eletricidade gerada por Itaipu ao Brasil são exemplos dessa fragilidade. Além disso, a soja, principal produto de exportação, é processada na Argentina antes de ser enviada à China, refletindo as dificuldades nas relações diplomáticas entre Assunção e Pequim.

Essas dinâmicas evidenciam os limites da inserção internacional da economia paraguaia e a dificuldade de diversificação das exportações. O Paraguai, sendo um Estado pequeno e menos desenvolvido, frequentemente reivindica tratamento especial nos acordos comerciais do Mercosul, mas sem avanços significativos em infraestrutura e capacidade do Estado, a transformação das oportunidades comerciais em investimentos e empregos permanece um desafio.

A crise do Ueno Bank, portanto, expõe uma contradição central do modelo econômico paraguaio: a modernização de setores e os indicadores macroeconômicos positivos não garantem a superação das fragilidades econômicas e institucionais. Para que o crescimento econômico se traduza em desenvolvimento real, é necessário que seja acompanhado de estabilidade democrática, instituições sólidas e a capacidade de implementar políticas públicas que enfrentem os gargalos estruturais da economia paraguaia.

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