O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quinta-feira (5) que se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a agenda fiscal do governo assim que Lula retornar de sua viagem internacional, que deve se encerrar em 15 de novembro. Durante essa viagem, o presidente participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), na Turquia, além de compromissos nas Filipinas.
A declaração de Durigan foi feita após uma reunião no Palácio da Alvorada, em Brasília, que contou com a presença de ministros, ex-ministros e economistas. O objetivo do encontro foi avaliar o cenário econômico brasileiro e identificar os principais desafios para os próximos anos. Apesar das discussões sobre a situação das contas públicas, não foram definidas medidas específicas de ajuste fiscal.
“Não há fórmula mágica, mas manutenção dos compromissos fiscais”, afirmou o ministro. Ele também destacou que o governo planeja apresentar propostas que conciliem a responsabilidade fiscal com os compromissos sociais de Lula, que iniciará seu quarto mandato em janeiro de 2027.
Durigan ressaltou que a reunião foi marcada pela convergência de opiniões sobre o diagnóstico da economia brasileira, com desafios como a taxa de juros e o cenário internacional em pauta. “Foi uma reunião boa, convergente em termos de diagnóstico”, declarou, enfatizando que não houve avanços na definição de medidas concretas.
Ele e o titular do Ministério do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, trabalharão na elaboração de propostas a serem apresentadas a Lula após sua viagem. “Eu e Moretti vamos considerar o que foi dito hoje para apresentar medidas ao presidente na volta da viagem dele”, disse.
Além disso, o governo pretende definir uma agenda de desenvolvimento que priorize diferentes setores da economia. “Vou definir a agenda de desenvolvimento, estabelecer quais são as prioridades em quais setores. Sempre com compromisso com o fiscal, de garantir superávits nos próximos anos”, afirmou.
A reunião no Palácio da Alvorada faz parte de uma primeira rodada de conversas ampliadas sobre a conjuntura econômica, convocada por Lula. O presidente deverá promover novos encontros com representantes da sociedade civil, empresários e integrantes do mercado financeiro.
Durigan destacou que o governo pretende dar transparência às propostas que serão elaboradas e continuará ouvindo diferentes setores durante a viagem presidencial. “Vou seguir na escuta enquanto o presidente estiver viajando”, declarou, ressaltando que as medidas em estudo devem preservar os compromissos sociais do governo e contribuir para a melhora do resultado fiscal.
O encontro contou com a participação de diversas figuras importantes do governo e da economia. Entre os presentes estavam: Geraldo Alckmin, vice-presidente da República; Miriam Belchior, ministra da Casa Civil; Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento; e Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado, mas não pôde participar devido ao período de silêncio do Comitê de Política Monetária (Copom).
As discussões sobre o ajuste fiscal ocorrem em meio ao avanço da dívida pública brasileira, que alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, equivalente a R$ 11,1 trilhões. Esse indicador representa um aumento em relação aos 71,7% do PIB registrados em dezembro de 2022, antes do início do terceiro mandato de Lula.
O presidente Lula deverá realizar um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão no domingo (8), onde se espera que ele reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal e a continuidade dos programas sociais, além de abordar a preocupação com a dívida pública e a necessidade de criar condições para a redução da taxa básica de juros. Contudo, a expectativa é que o pronunciamento não apresente medidas específicas de ajuste fiscal.
O debate sobre a agenda econômica ocorre um dia após o Copom decidir manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, encerrando uma sequência de cinco cortes consecutivos. A discussão sobre as medidas fiscais se intensifica após a reeleição de Lula para um quarto mandato, que se estenderá de janeiro de 2027 a dezembro de 2030. O governo deverá apresentar propostas para fortalecer o equilíbrio das contas públicas e assegurar o cumprimento das metas fiscais previstas para o próximo período de gestão.
Durigan afirmou que as medidas serão elaboradas com base nos diagnósticos apresentados durante as reuniões com economistas e deverão ser submetidas à avaliação do presidente após o retorno da viagem internacional, em meados de novembro.




