A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano garante a atratividade da renda fixa, especialmente para os títulos pós-fixados e aqueles indexados à inflação. Especialistas consultados pela Folha destacam que, após cinco cortes consecutivos, a interrupção deste ciclo reforça a vantagem das aplicações ligadas à Selic ou ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa de referência do mercado privado.
Os títulos atrelados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que oferecem juros reais em níveis considerados elevados, continuam sendo recomendados. Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, enfatiza que a volatilidade observada recentemente nos ativos brasileiros, como juros futuros, dólar e Bolsa, exige uma postura mais conservadora em relação à renda fixa. “Nossa principal classe de ativos continua sendo a dos pós-fixados. Na parte dos títulos atrelados à inflação, aqueles com vencimento em até três anos são uma ótima oportunidade de investimento”, afirma.
Os títulos pós-fixados, que acompanham a taxa básica de juros ou o CDI, têm a vantagem de reduzir a sensibilidade às oscilações das taxas de mercado. Um levantamento do C6 Bank aponta que o Tesouro Selic com vencimento em 2028 deve oferecer um retorno real líquido de 6,67% — já descontados o Imposto de Renda e a inflação projetada — em uma aplicação de um ano.
Pedro Moreira, sócio da One, complementa que os ativos pós-fixados continuam sendo a principal preferência dos investidores. “Não enxergamos uma mudança significativa na dinâmica de mercado que justifique uma alteração estrutural da carteira. A curva de juros ainda não apresentou uma queda expressiva que altere essa preferência”, diz.
Os títulos atrelados ao IPCA também permanecem atraentes, segundo os analistas. Essas aplicações remuneram o investidor pela inflação acumulada, acrescida de uma taxa prefixada de juros. De acordo com o C6 Bank, um CDB atrelado ao IPCA com remuneração de 7,05% ao ano acima da inflação proporciona um retorno real líquido de 4,98%, considerando uma aplicação de um ano.
Eduardo Amorim, sócio e especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, destaca que esses papéis oferecem oportunidades valiosas. “Eles apresentam taxas reais historicamente atrativas e proteção contra a inflação, desde que respeitados os riscos e os prazos. O IPCA+ oferece maior previsibilidade de retorno real no vencimento, sendo especialmente interessante para investidores com patrimônio consolidado e horizonte de longo prazo.”
Entretanto, os títulos com vencimentos mais longos podem ficar mais expostos à marcação a mercado — que é a variação do preço do papel antes do vencimento — caso o investidor precise resgatar os recursos antes do prazo. Portanto, é essencial que os investidores analisem cuidadosamente suas opções e considerem a diversificação como uma estratégia para mitigar riscos em um cenário de incerteza fiscal e juros elevados. A manutenção da Selic em 13,75% reafirma a importância da renda fixa no portfólio de investimentos, mas exige cautela e planejamento estratégico para maximizar os retornos e minimizar os riscos associados.




