Post: Brasil mantém foco em negociações comerciais com os EUA após chegada de Flávio Bolsonaro

Governo brasileiro mantém negociações com os EUA, mesmo após chegada de Flávio Bolsonaro, evitando crise diplomática.
Brasil mantém foco em negociações comerciais com os EUA após chegada de Flávio Bolsonaro

O governo brasileiro reafirmou seu compromisso em preservar a relação comercial com os Estados Unidos, mesmo após a chegada de Flávio Bolsonaro ao país, que ocorreu após sua derrota nas eleições do último domingo (25). A avaliação interna é de que não é conveniente transformar esse episódio em uma crise diplomática entre os dois países.

Segundo informações do jornal americano The New York Times, Flávio e sua família foram admitidos nos EUA sob um status migratório condicional, após desembarcarem em Miami em um jato particular na manhã de quarta-feira (28). A aeronave foi disponibilizada por um funcionário da Casa Branca. Na mesma tarde, o ex-presidente Donald Trump afirmou que Flávio havia recebido um “passe livre” para entrar no país.

Do lado brasileiro, a orientação é manter uma postura pragmática e não estender a discussão sobre o assunto. Integrantes do governo consideram que Luiz Inácio Lula da Silva sai fortalecido das eleições e não precisa exigir de Trump um reconhecimento formal da vitória, que ainda não foi manifestado pelo presidente americano. Trump já havia declarado que, a pedido de Lula, não tomaria partido na eleição brasileira, mas classificou o resultado como “uma vergonha”.

Um auxiliar do Planalto comentou que fazer uma cobrança pública poderia passar uma imagem de fragilidade que o Brasil não deseja transmitir. Um diplomata do Itamaraty acrescentou que, neste momento, as questões relacionadas à saída de Flávio do país devem ser tratadas pelo Judiciário, e não pelo presidente da República.

Outro ponto considerado relevante pelo governo é que partidos de diferentes espectros políticos, incluindo o PL, reconheceram a vitória de Lula. A carta de Flávio, onde se autodeclara o verdadeiro presidente eleito do Brasil, foi contestada após sua divulgação, levando o senador a alterar o documento para se apresentar como “o líder do Brasil”.

Além disso, o reconhecimento do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, também é visto como um respaldo importante.

A estratégia do governo brasileiro deverá ser semelhante em relação à Argentina, cujo novo presidente, Javier Milei, também não reconheceu a vitória de Lula. O Brasil não planeja exigir formalmente esse reconhecimento nem alterar sua relação diplomática com o país vizinho, que já foi rebaixada neste ano devido a ofensas de Milei ao presidente brasileiro.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está previsto para se encontrar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a partir de sexta-feira (30), em Atlanta, durante a cúpula de chanceleres do G20. Contudo, segundo uma fonte próxima às negociações, o Brasil não solicitou uma reunião específica com Rubio para discutir a situação envolvendo Flávio Bolsonaro.

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