O setor público consolidado, que inclui a União, estados, municípios e estatais, registrou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, enquanto a dívida bruta se manteve em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), totalizando R$ 11,1 trilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) no relatório de Estatísticas Fiscais do Banco Central (BC).
O endividamento se manteve estável em relação ao mês anterior, mas continua sendo o maior patamar desde 2021, período marcado pelos impactos econômicos da pandemia de covid-19. Em comparação com setembro de 2025, quando o déficit primário foi de R$ 17,5 bilhões, houve uma melhora significativa nas contas públicas.
O déficit primário é a diferença entre as receitas e despesas do governo, sem considerar os juros da dívida pública. O resultado de setembro foi influenciado por desempenhos variados entre os níveis de governo e as empresas estatais.
Em setembro, o desempenho das contas públicas foi o seguinte: o Governo Central apresentou um superávit de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios tiveram um déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões, e as empresas estatais registraram um déficit de R$ 3,4 bilhões. O resultado negativo consolidado, ao somar as três esferas de governo, ficou em R$ 5,497 bilhões, abaixo do déficit primário de R$ 10 bilhões registrado em agosto e dos R$ 17,5 bilhões de setembro do ano passado.
Apesar da melhora, as contas públicas acumulam um déficit primário de R$ 94,3 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, o que equivale a 0,93% do PIB. No mesmo período de 2025, o resultado negativo foi de R$ 79,2 bilhões, ou 0,84% do PIB.
Nesta manhã, o Tesouro Nacional divulgou que o Governo Central registrou um superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro. A divergência de números em relação ao Banco Central se deve à diferença de metodologia entre as duas instituições. As estatísticas do Tesouro baseiam-se nos valores executados no Orçamento, enquanto o Banco Central calcula o resultado primário com base na variação do endividamento de cada ente público.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que abrange o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os governos estaduais e municipais, alcançou R$ 11,1 trilhões em setembro, equivalente a 82,9% do PIB. O indicador se manteve estável em relação ao mês anterior, mas avançou 4,3 pontos percentuais no acumulado de 2026.
Segundo o Banco Central, o comportamento da dívida em setembro refletiu principalmente os juros nominais apropriados, que contribuíram para elevar a dívida em 0,8 ponto percentual do PIB, e os resgates líquidos de dívida, que reduziram o indicador em 0,4 ponto percentual. A variação do PIB nominal teve um impacto negativo de 0,4 ponto percentual sobre a relação entre dívida e PIB.
No fim de 2022, a dívida bruta correspondia a 71,7% do PIB, e desde então, o indicador aumentou mais de 11 pontos percentuais, aproximando-se dos níveis observados durante a pandemia.
As despesas com juros nominais do setor público somaram R$ 107,5 bilhões em setembro, em comparação com R$ 84,7 bilhões no mesmo mês de 2025, resultando em um aumento anual de R$ 22,8 bilhões. Esse aumento foi influenciado por um resultado menos favorável das operações de swap cambial e pelo crescimento do estoque da dívida, além da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No acumulado de 12 meses até setembro, os gastos com juros chegaram a R$ 1,205 trilhão, equivalente a 8,99% do PIB, um aumento em relação aos R$ 984,8 bilhões, ou 7,86% do PIB, do mesmo período encerrado em setembro de 2025. Quando os juros são incluídos no cálculo, o resultado das contas públicas é medido pelo déficit nominal, que em setembro foi de R$ 113 bilhões. No acumulado de 12 meses, o saldo negativo chegou a R$ 1,275 trilhão, correspondente a 9,51% do PIB.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta os ativos financeiros do governo de suas obrigações, atingiu R$ 9,4 trilhões em setembro, equivalente a 70% do PIB. O indicador subiu 0,7 ponto percentual em relação a agosto e acumulou uma alta de 4,7 pontos percentuais no ano. Esse avanço mensal foi influenciado principalmente pela incorporação dos juros da dívida.
Apesar do resultado negativo acumulado no ano, o déficit primário apresentou uma melhora na comparação dos últimos 12 meses. Até setembro, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 70,1 bilhões, equivalente a 0,52% do PIB, uma redução em relação aos 0,62% do PIB registrados em agosto. No período de 12 meses encerrado em setembro, os resultados por segmento foram: Governo Central com déficit de R$ 52,7 bilhões, ou 0,39% do PIB; estados com déficit de R$ 14,4 bilhões, ou 0,11% do PIB; municípios com superávit de R$ 7 bilhões, ou 0,05% do PIB; e empresas estatais com déficit de R$ 10 bilhões, ou 0,07% do PIB.
A trajetória da dívida pública e o peso dos juros permanecem como os principais desafios fiscais do país. O aumento do endividamento eleva o custo de financiamento do governo e reduz o espaço disponível no Orçamento para outras despesas, enquanto a evolução do resultado primário influencia a capacidade de estabilizar a dívida em relação ao PIB.



