O Santander Brasil divulgou nesta quarta-feira (28) que seu lucro líquido gerencial no terceiro trimestre deste ano foi de R$ 2,885 bilhões, uma queda significativa de 28% em comparação ao mesmo período do ano anterior e de 4,3% em relação ao segundo trimestre de 2026. Esse resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que esperava um lucro de R$ 2,962 bilhões, conforme levantamento da Bloomberg.
A rentabilidade do banco, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio (ROAE), caiu para 11,9%, também inferior ao consenso de 12,39% e uma redução de 5,6 pontos percentuais em relação aos 17,5% registrados no ano passado. Essa diminuição na rentabilidade é atribuída ao aumento nas provisões para devedores duvidosos (PDD), que subiram 14,4% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 7,46 bilhões, contra R$ 6,52 bilhões no mesmo período de 2025.
O Santander reconheceu que está operando em um “cenário de crédito desafiador” e afirmou que continua a adotar uma gestão prudente e disciplinada dos riscos. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação aos 2,8% do ano anterior. O banco observou uma pressão crescente nos segmentos de agronegócio e de baixa renda.
A carteira total de crédito do Santander alcançou R$ 721,26 bilhões no terceiro trimestre, refletindo um crescimento de 4,7% em relação ao ano passado. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento de 4,3% no segmento de grandes empresas, embora tenha havido uma redução nas carteiras de crédito consignado e pessoal. A instituição tem adotado uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, evitando produtos de maior risco, que poderiam oferecer retornos mais altos.
Esta foi a primeira divulgação de resultados sob a gestão de Gilson Finkelsztain, que assumiu o comando do banco em 1º de julho, após deixar a presidência da B3, a Bolsa de Valores brasileira. Finkelsztain tem a missão de reverter a atual situação e recuperar a rentabilidade da instituição. Analistas e o próprio banco projetam que a recuperação dos indicadores deve ocorrer apenas em 2027, com a expectativa de um ciclo de crédito mais saudável.
Com 45.782 funcionários e 827 agências, o Santander atende cerca de 77,1 milhões de clientes no Brasil e está em operação no mercado local desde 1982. Seus principais concorrentes incluem Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Nubank.



