Post: Crescimento do PIB da China atinge 4,5% no terceiro trimestre impulsionado por exportações

Crescimento do PIB da China atinge 4,5% no terceiro trimestre, impulsionado por exportações e aumento na produção industrial.
Crescimento do PIB da China atinge 4,5% no terceiro trimestre impulsionado por exportações

O crescimento econômico da China apresentou um avanço significativo no terceiro trimestre de 2023, com uma alta de 4,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado superou a expectativa de analistas, que projetavam um crescimento de 4,4%, e se deu em um contexto onde as exportações, especialmente no setor de inteligência artificial, desempenharam um papel crucial, compensando a fraqueza nos gastos do varejo e nos investimentos.

Nos primeiros nove meses do ano, a economia chinesa cresceu 4,6%, conforme dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS). A meta oficial de crescimento do PIB para 2023 é de 4,5% a 5%. Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do ING, destacou que o desempenho do terceiro trimestre mantém a meta de crescimento ao alcance, apesar das dificuldades enfrentadas.

O vice-diretor do NBS, Mao Shengyong, ressaltou que, embora a taxa de crescimento esteja entre as mais baixas da China nas últimas décadas, exceto durante a pandemia de Covid-19, ela ainda se destaca entre as principais economias globais. Ele atribuiu esse desempenho a um ambiente internacional complexo e a uma demanda interna ainda insuficiente, reconhecendo a necessidade de consolidar a base para um desempenho econômico estável.

A economia chinesa enfrenta um cenário de crescimento desigual, onde o setor de inteligência artificial e as indústrias de alta tecnologia estão impulsionando as exportações, enquanto a crise prolongada no setor imobiliário continua a afetar a demanda interna. Em setembro, as exportações aumentaram 36% em relação ao ano anterior, gerando um superávit comercial que deve ultrapassar o recorde de US$ 1,2 trilhão registrado no ano passado. Esse crescimento, no entanto, tem gerado tensões com parceiros comerciais, especialmente com a União Europeia, que recentemente concordou em estabelecer cotas para as importações de carros híbridos chineses.

Além disso, a produção industrial da China cresceu 5,5% em setembro, alinhada com as previsões, enquanto as vendas no varejo, um indicador importante do consumo, aumentaram 1,1%, superando as expectativas de crescimento de 0,5%. Segundo Song, esse aumento nas vendas pode ser atribuído, em parte, ao crescimento nas vendas de aparelhos de comunicação, impulsionadas por subsídios governamentais.

As autoridades chinesas estão cientes da necessidade de estimular a demanda interna, especialmente em um momento em que a desaceleração do setor imobiliário, que já dura cinco anos, impacta a confiança das famílias. Os preços de imóveis residenciais novos em 70 cidades caíram 0,14% em setembro, uma leve melhora em relação à queda de 0,17% registrada em agosto. Yuhan Zhang, economista do Conference Board, enfatizou que a economia da China continua a ser impulsionada pela oferta e pela produção, o que sustenta o crescimento no curto prazo, mas que uma recuperação mais equilibrada e sustentável depende de esforços contínuos para fortalecer o consumo das famílias e a confiança do consumidor. Zhang também destacou que o crescimento da China está se tornando cada vez mais dependente das “novas forças produtivas”, especialmente na manufatura avançada, com o apoio de políticas industriais que incentivam investimentos em setores estratégicos. Apesar disso, o investimento em ativos fixos caiu 7,2% nos primeiros nove meses de 2023, refletindo uma retração que se mantém em linha com as previsões do mercado.

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