O assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, expressou preocupações sobre o Escudo das Américas, uma iniciativa de segurança liderada pelos Estados Unidos. Segundo Amorim, a proposta representa um cerco ao Brasil, utilizando um argumento enganoso que relaciona o crime organizado ao terrorismo internacional. Em entrevista ao canal Tutaméia TV, Amorim afirmou que essa abordagem distorce a realidade e visa a dominação dos interesses americanos na região.
O Escudo das Américas, lançado em março, é uma aliança entre os EUA e 14 países latino-americanos, que visa combater o crime organizado e o tráfico de drogas. O grupo apoiou sanções a 24 organizações criminosas, incluindo facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que foram rotuladas como “narcoterroristas” pela Casa Branca. Amorim argumenta que essa classificação pode permitir ações do governo americano em território brasileiro, o que poderia prejudicar as operações de combate às facções criminosas.
A crítica de Amorim se insere em um contexto mais amplo de tensões entre o Brasil e os EUA, especialmente sob a administração de Donald Trump. Ele destacou que, embora governos anteriores tenham buscado influenciar o Brasil, nunca houve uma tentativa tão direta de intervenção. “Na realidade, é um esquema de dominação absoluta. O problema deles é a China”, afirmou. Essa afirmação reflete a crescente preocupação do Brasil em relação ao papel dos EUA na América Latina e suas implicações para a soberania nacional.
O governo Lula já se manifestou contra a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, argumentando que isso poderia resultar em sanções prejudiciais a empresas brasileiras e complicar a cooperação internacional no combate ao crime. Especialistas em segurança também alertaram que essa abordagem poderia dificultar a luta contra as facções, alterando os protocolos de colaboração existentes.
Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro, em conversa com o presidente da Colômbia, expressou sua intenção de alinhar o Brasil ao Escudo das Américas, caso seja eleito. Ele prometeu trabalhar para integrar o Brasil à aliança, destacando a necessidade de cooperação regional no combate ao narcoterrorismo. Flávio, que é aliado de Trump, defende a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, o que evidencia a polarização política em torno do tema.
A iniciativa do Escudo das Américas, que inclui o compartilhamento de inteligência e coordenação de operações entre os países membros, representa um esforço significativo dos EUA para consolidar sua influência na região. No entanto, as críticas de Amorim e a resistência do governo Lula indicam um cenário complexo e desafiador para as relações Brasil-EUA, especialmente em um contexto de crescente rivalidade geopolítica.




