As plataformas de mercado de previsão, como Kalshi e Polymarket, têm enfrentado desafios significativos no Brasil devido à proibição de suas operações. Apesar disso, essas empresas continuam a oferecer projeções sobre as eleições brasileiras, que circulam entre analistas econômicos e na imprensa. No entanto, elas reconhecem que a restrição no país impacta negativamente seus resultados. Essas plataformas permitem apostas em uma variedade de eventos, incluindo eleições, mas foram proibidas pelo governo em abril, antes da derrubada do mercado regular de apostas em setembro. A justificativa foi que elas ofereciam prognósticos sem seguir as regras estabelecidas para casas de apostas. Kalshi e Polymarket defendem que seu principal produto é a projeção estatística do futuro, e a deterioração das previsões eleitorais brasileiras é um dos argumentos utilizados para tentar reverter a proibição. Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, destacou em um evento na Califórnia que, diferentemente das pesquisas tradicionais, que dependem de amostragens, os mercados de previsão agrupam palpites com base em apostas financeiras. Esses mercados exigem alta liquidez, ou seja, a participação de um número suficiente de apostadores para que as transações sejam viáveis. A proibição no Brasil gera uma falha de mercado, limitando a participação de interessados. O volume apostado nas eleições brasileiras nas plataformas representa apenas 4,5% do que foi registrado nas eleições de 2024 nos Estados Unidos, entre Donald Trump e Kamala Harris, quando essas plataformas ainda eram menos conhecidas globalmente. Após a proibição, a média de transações diárias na Polymarket sobre as eleições brasileiras caiu em 89,6%. A maior aposta ativa na plataforma é a favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu uma aposta de US$ 1,01 milhão. Contudo, as chances de vitória de Lula caíram para 41%, o que poderia resultar em uma perda significativa para o apostador. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro lidera nas projeções com 59% de chance de sucesso. Renan Santos, do partido Missão, que aparece com 3% de intenção de voto, também atraiu 17 apostas de mais de US$ 100 mil, superando Lula e Flávio. O método utilizado pelos mercados de previsão tem sido alvo de críticas por parte de cientistas políticos, que questionam a falta de validação científica independente dessas projeções. Kalshi e Polymarket afirmam que suas plataformas acertaram a previsão da vitória de Trump em 2024. Apesar das dificuldades de liquidez em 53 países, incluindo o Brasil, Luana defende que os mercados preditivos oferecem dados qualitativos superiores às pesquisas eleitorais tradicionais, que enfrentam problemas de amostragem e falta de transparência. Por outro lado, especialistas como Glauco Peres, da USP, argumentam que as plataformas não demonstraram sua eficácia preditiva em estudos independentes. Embora uma pesquisa do NBER tenha mostrado que as previsões dos mercados são comparáveis às de métodos financeiros, outros estudos indicam a presença de informações privilegiadas e viés nas apostas, o que levanta preocupações sobre a confiabilidade desses dados em um contexto eleitoral. No Brasil, as pesquisas de opinião baseadas em amostragem continuam a ser a referência em diversos campos, apesar das inovações trazidas pelos mercados de previsão.




