A carne bovina do Brasil pode enfrentar um longo período de exclusão do mercado da União Europeia, estimado em até dois anos. Essa informação foi divulgada por Éric Thévenard, diretor de Auditorias e Análises de Saúde e Alimentos da Comissão Europeia, durante uma reunião da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu em Bruxelas. A nova exigência europeia demanda que o Brasil comprove o cumprimento das normas sanitárias ao longo de toda a vida dos bovinos, desde o nascimento até o abate.
Thévenard explicou que o ciclo de vida dos bovinos, que leva cerca de dois anos, é um fator determinante para essa restrição. “O tempo entre nascimento e abate é de cerca de dois anos, então vocês podem calcular: nada antes de dois anos, em teoria”, destacou o diretor. Assim, enquanto essa situação persistir, a carne bovina brasileira não poderá ser comercializada na Europa.
A restrição começou a valer no dia 3 de junho, quando a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco. Essa decisão foi motivada pela avaliação de que os controles brasileiros sobre o uso de antimicrobianos e outros medicamentos em animais eram insuficientes. As novas regras proíbem o uso de antimicrobianos para promover o crescimento dos animais ou aumentar a produtividade, além de restringir medicamentos que são reservados para o tratamento de infecções em humanos.
Embora a carne bovina esteja enfrentando dificuldades, a situação é diferente para outros produtos brasileiros, como a carne de frango e o mel. Uma auditoria realizada pela Comissão Europeia entre agosto e setembro deste ano avaliou os controles relacionados ao uso de antimicrobianos nessas cadeias produtivas e considerou os resultados satisfatórios. Isso abre caminho para a retomada das exportações desses produtos, que também estavam suspensas desde o início de junho. A reinclusão do Brasil na lista de fornecedores autorizados pela UE, no entanto, ainda depende da análise dos representantes dos Estados-membros, prevista para os dias 20 e 21 de outubro.
No caso da carne bovina, a exigência de comprovação durante toda a vida do animal torna o processo de reintegração mais complexo. O Brasil precisará apresentar as informações necessárias para que a Comissão Europeia possa concluir que as exigências foram atendidas. As regras da UE permitem que países excluídos possam ser adicionados novamente à lista de exportadores autorizados, mas o cumprimento das novas normas é essencial para essa reintegração.
Essa situação levanta preocupações sobre o impacto no setor agropecuário brasileiro, especialmente em um momento em que a demanda por carne bovina é significativa em mercados internacionais. A capacidade do Brasil de atender às exigências da UE será crucial para a recuperação das exportações e para a manutenção da competitividade no mercado global.




