O número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram o norte da Venezuela há duas semanas chegou a 3.811, conforme anunciado pelo governo local. Os tremores, com magnitudes de 7,2 e 7,5, também deixaram 16.740 feridos e 17.907 desabrigados, de acordo com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. A tragédia teve seu epicentro no estado costeiro de La Guaira, onde mais de 800 prédios foram danificados, sendo que 190 deles desabaram completamente.
A líder interina do país, Delcy Rodríguez, solicitou a liberação de recursos venezuelanos que estão bloqueados no exterior, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) busca arrecadar cerca de US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,5 bilhão) para ajudar na recuperação do país. A resposta do governo ao desastre tem sido alvo de críticas por parte da população, que considera as ações de emergência lentas. Delcy Rodríguez, no entanto, rejeitou as críticas, afirmando que as operações de busca e resgate continuam em andamento e acusou “laboratórios midiáticos” de tentarem prejudicar o trabalho das equipes de emergência.
Após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro no início do ano, Delcy assumiu o poder sob a supervisão do governo dos Estados Unidos. Recentemente, o encarregado de negócios dos EUA em Caracas, John Barrett, elogiou a resposta do regime à crise humanitária, afirmando que o governo interino está colaborando com os pedidos para avançar na resposta humanitária.
Na última segunda-feira (29), o coordenador humanitário da ONU na Venezuela informou que a organização começou a adquirir 10 mil sacos para armazenamento de corpos, indicando uma expectativa de que o número de mortos possa aumentar. O Programa Mundial de Alimentos também solicitou US$ 50 milhões à comunidade internacional para prestar assistência a cerca de 500 mil pessoas nos próximos três meses.
Os terremotos agravaram uma crise humanitária que já afetava o país, com a ONU estimando que quase 8 milhões de venezuelanos necessitavam de algum tipo de assistência antes do desastre. Em resposta à tragédia, 27 países enviaram equipes de socorro e ajuda humanitária para apoiar os esforços de recuperação.




