Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada nesta terça-feira (23), aponta que a maioria dos brasileiros é favorável à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O levantamento revela que 59% dos entrevistados apoiam total ou parcialmente essa medida, enquanto 33% se opõem. Essa pesquisa foi realizada após a decisão do governo dos Estados Unidos, em junho, de classificar essas duas facções como terroristas, uma medida que foi anunciada pela administração do ex-presidente Donald Trump no final de maio, fundamentada no histórico de violência e na atuação internacional dos grupos.
Os dados mostram que 45% dos participantes concordam totalmente com a classificação, enquanto 14% concordam em parte. Por outro lado, 22% discordam totalmente, 11% discordam em parte, 1% não se posiciona e 7% não souberam responder. O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em 139 municípios nos dias 17 e 18 de junho, com uma margem de erro de dois pontos percentuais.
O governo dos Estados Unidos justificou sua decisão afirmando que o PCC e o Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil, controlando milhares de integrantes e sendo responsáveis por ataques brutais contra policiais e civis. Além disso, a atuação desses grupos se estende além das fronteiras brasileiras, atingindo outros países da América Latina e os próprios Estados Unidos. Essa medida faz parte do compromisso do governo americano de desmantelar cartéis e organizações criminosas na região.
Apesar do apoio à classificação das facções como terroristas, a pesquisa também revelou uma forte resistência à possibilidade de ações diretas dos Estados Unidos em território brasileiro. Um expressivo 74% dos entrevistados se opõem a qualquer ação americana contra membros do PCC e do Comando Vermelho sem a autorização do governo federal.
O atual governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é contra essa classificação e tem tentado evitar essa medida, considerando que isso poderia abrir espaço para intervenções estrangeiras no Brasil, especialmente com as eleições se aproximando. A pesquisa também mediu o nível de conhecimento da população sobre a decisão dos Estados Unidos, revelando que 83% dos entrevistados já estavam cientes da questão. Dentre eles, 35% se consideram bem informados, 37% afirmam estar mais ou menos informados, enquanto 11% reconhecem ter pouco conhecimento sobre o tema. Outros 13% não tinham conhecimento da classificação das facções como terroristas e 5% não souberam responder.
A influência do senador Flávio Bolsonaro na decisão americana também foi abordada na pesquisa, com 54% acreditando que ele teve um papel significativo. Desses, 57% consideram que sua participação foi negativa para o Brasil, enquanto 37% a avaliam como positiva e 3% não a veem de forma clara. Flávio Bolsonaro esteve em Washington em maio e se reuniu com Trump dois dias antes do anúncio sobre a classificação do PCC e CV como organizações terroristas.



