O Departamento de Estado dos EUA, em conjunto com outros 15 países da América, divulgou um comunicado nesta terça-feira (23) classificando os esforços para derrubar o governo da Bolívia como uma “grave ameaça” à ordem constitucional e à estabilidade democrática. O texto foi assinado por nações como Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, entre outras, mas não contou com a adesão do Brasil.
A nota ressalta que uma “minoria violenta” está tentando desrespeitar a vontade da maioria dos bolivianos, que se manifestou nas recentes eleições. Os protestos, que têm sido liderados principalmente por trabalhadores, camponeses, mineiros e professores, se intensificaram nas últimas semanas, com barricadas sendo montadas nas proximidades do palácio do governo. A resposta das forças de segurança incluiu o uso de gás lacrimogêneo, resultando em pelo menos cinco detenções, conforme reportado pela imprensa local.
O comunicado enfatiza que essas manifestações têm causado sérios impactos na vida cotidiana de milhões de cidadãos e colocado em risco direitos fundamentais. “Apoiamos o governo constitucionalmente eleito da Bolívia e instamos os grupos mobilizados a priorizar o diálogo e a negociação”, afirmaram os signatários.
Recentemente, o governo de Rodrigo Paz firmou um acordo com a Confederação dos Trabalhadores da Bolívia (COB) na tentativa de encerrar as manifestações que paralisaram o país. O presidente expressou otimismo ao afirmar que o pacto representa um “raio de esperança para todos os bolivianos”, ressaltando a importância da colaboração entre diferentes setores da sociedade.
No entanto, na sequência do acordo, Paz declarou estado de emergência, o que lhe confere a possibilidade de empregar forças militares para desmantelar os bloqueios e restaurar a ordem. Essa medida lhe proporciona ferramentas constitucionais mais amplas para lidar com a crise, incluindo a autorização para o uso das Forças Armadas.
O conflito entre a população e o governo teve início após a abrupta suspensão dos subsídios de combustíveis, uma decisão tomada por Paz com o objetivo de reduzir o déficit fiscal. A medida gerou descontentamento e mobilizações em várias regiões do país, refletindo a insatisfação popular em um contexto de crise econômica.




