
A cultura do futebol no Brasil se encontra em um delicado equilíbrio entre realismo e fantasia. Assim como a população brasileira, que oscila entre momentos de euforia e de depressão, a seleção nacional também vive essa montanha-russa emocional. Antes de enfrentar o Marrocos, o discurso era de cautela, reconhecendo a dificuldade do adversário. Após o empate em 1 a 1, a insatisfação com o desempenho foi palpável. Dois fatores contribuíram para essa atuação abaixo do esperado: os erros da equipe comandada por Carlo Ancelotti e os acertos do rival. Um aspecto frequentemente esquecido é que cada partida de futebol envolve um adversário, que pode surpreender. O Marrocos, semifinalista da Copa do Mundo de 2022, mostrou que o Brasil não se preparou adequadamente nos últimos quatro anos. Enquanto isso, a Espanha, que também empatou com Cabo Verde, não contava com um resultado tão frustrante em sua estreia. Nos últimos 24 anos, a Espanha reformulou sua cultura de jogo, enquanto o Brasil parece ter perdido o rumo. Apesar de ser a única seleção a estar presente em todas as quartas de final após o penta, esse desempenho não é suficiente para a nação do futebol. A Espanha, por sua vez, teve um título e algumas eliminações, mas não conseguiu se manter entre as potências. A renovação das potências esportivas é um fenômeno observado em diversas modalidades. O vôlei, por exemplo, era dominado por países asiáticos e da Europa Oriental até a década de 1970. O Brasil, ao longo das décadas, conseguiu se adaptar e prosperar, alcançando várias semifinais olímpicas. No entanto, a recente performance da seleção masculina de vôlei, que ficou em 17º lugar no Mundial, representa um retrocesso significativo. Duas semanas após o empate com o Marrocos, Ancelotti enfrentou uma derrota surpreendente para o Japão, marcando a primeira virada de 2 a 0 para 3 a 2 na história da seleção. Essa derrota gerou críticas e descontentamento, mas é importante lembrar que o Japão também é um adversário forte. O futebol tem a capacidade de atrair a atenção de todos, especialmente no Brasil. O modelo francês, que se destacou com sua estrutura de formação de jogadores, deve ser seguido. Embora não sejam invencíveis, os franceses têm se mostrado consistentes, com um Centro Nacional de Futebol que os prepara para o sucesso. O Brasil precisa retomar a liderança na formação de jogadores, métodos de treinamento e desenvolvimento de treinadores. A análise crítica da situação atual é fundamental. Empatar com o Marrocos não deve ser visto como um desastre, mas sim como uma oportunidade de aprendizado. A experiência da Olimpíada de 2016, que começou com empates e culminou em uma vitória sobre a Alemanha, é um exemplo de que a trajetória pode mudar. O Brasil precisa melhorar seu desempenho contra adversários como Haiti e Escócia, visando chegar às semifinais. É crucial entender que, mesmo com um título, a seleção não estará em uma posição confortável. O Brasil continua entre os favoritos, mas deve sempre considerar o adversário em campo.




