A comunidade iraniana em Los Angeles se mobilizou nesta segunda-feira (15) em protesto nos arredores do estádio SoFi, em Inglewood, onde a seleção do Irã fará sua estreia na fase de grupos da Copa do Mundo contra a Nova Zelândia, marcada para às 22h. Centenas de manifestantes, muitos portando a antiga bandeira do Irã, que apresenta um leão e uma espada, se reuniram para expressar sua oposição ao regime de Teerã, considerando a seleção como um instrumento de propaganda do governo. Ava Amin, uma estudante de filosofia, destacou a desconexão entre a equipe e o povo iraniano: “Esta equipe não é do povo iraniano, é do regime. Quando as pessoas são assassinadas, eles ignoram e ficam calados”. O protesto ocorre em um contexto de grande segurança, uma vez que a comunidade iraniana em Los Angeles, conhecida como “Teerãngeles”, planejou usar a atenção gerada pela Copa do Mundo para denunciar os abusos do governo dos aiatolás, que está no poder há 47 anos. Durante a manifestação, muitos exibiram fotos de vítimas da repressão violenta no Irã, que deixou milhares de mortos, segundo dados de ONGs. Amin afirmou: “Perdemos tanta gente em janeiro. Quando as pessoas pedem liberdade no Irã, são assassinadas, então estamos aqui para ser sua voz e levantar nossa bandeira”. Os manifestantes também expressaram a intenção de entrar no estádio com a antiga bandeira escondida, apesar de sua exibição ser vetada pelas autoridades iranianas e contrária às regras da FIFA, que proíbe manifestações políticas em seus eventos. A participação do Irã na Copa do Mundo foi incerta até o último minuto, devido a tensões políticas e militares, especialmente após o início da guerra contra Teerã em fevereiro, promovida pelos Estados Unidos e Israel. A seleção teve que se deslocar para Tijuana, no México, em vez de se hospedar nos Estados Unidos, como inicialmente planejado. Além disso, vários membros da comissão técnica não conseguiram vistos para entrar no país. Neste domingo (14), os Estados Unidos anunciaram um acordo com o Irã para o fim da guerra, mas a situação continua tensa, refletindo as complexidades políticas que cercam a participação da seleção iraniana na Copa do Mundo. A manifestação em Los Angeles é um exemplo do uso do palco esportivo para levantar questões políticas e sociais, destacando a luta da diáspora iraniana contra um regime que muitos consideram opressor. Continue acompanhando o Clique Agora para mais notícias sobre política, cidades, economia, segurança, agronegócio e os principais acontecimentos de Rondonópolis, Mato Grosso e do Brasil.



