A Venezuela está em negociações avançadas para transferir aproximadamente US$ 4 bilhões em reservas de ouro do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve, em Nova York. O acordo, que envolve tanto o regime de Nicolás Maduro quanto a oposição, visa permitir que o país utilize o ouro como garantia para empréstimos, sem a possibilidade de venda imediata dos ativos.
As conversas, que ocorrem em um contexto de reaproximação internacional, têm como objetivo facilitar o financiamento de gastos essenciais, incluindo a reconstrução após os devastadores terremotos que atingiram o país. Fontes próximas às negociações afirmam que o controle legal do ouro seria transferido para a Venezuela, mas com restrições que buscam evitar o uso indevido dos recursos. Essa movimentação é vista como um passo significativo nas relações entre o governo venezuelano e a oposição, que conta com o apoio dos Estados Unidos.
A disputa pelo ouro, que se arrasta desde 2019, surgiu após o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente legítimo da Venezuela por parte de governos como o dos EUA e do Reino Unido. Desde então, a oposição reivindica o controle das reservas de ouro armazenadas no Banco da Inglaterra, levando a um embate judicial que chegou à Suprema Corte britânica. O acordo em discussão representa uma possível resolução para essa longa disputa, mas ainda requer a aprovação de instâncias judiciais para que a transferência seja efetivada.
Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também retomou suas relações com a Venezuela, permitindo que o governo tenha acesso a recursos mantidos na instituição. Essa reaproximação é parte de um esforço mais amplo para criar condições para novas eleições no país, após um pleito em 2024 que foi amplamente contestado pela oposição.
Uma delegação de políticos opositores está em Caracas para discutir os termos do acordo com representantes do governo, liderados por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. As negociações sobre o ouro coincidem com um aumento nas relações diplomáticas entre o Reino Unido e a Venezuela, com o governo britânico se mostrando favorável à realização de novas eleições no país.
O Banco da Inglaterra, por sua vez, afirmou que não pode agir até que haja uma nova ordem judicial que defina quem detém a autoridade sobre as reservas de ouro. A expectativa é de que um acordo final sobre a transferência do ouro seja bem recebido tanto pelo governo britânico quanto pelo Banco da Inglaterra, que há anos está envolvido na disputa judicial sobre os ativos venezuelanos. Enquanto isso, a oposição continua a pressionar por garantias de que o ouro não será utilizado de forma inadequada, refletindo a desconfiança em relação ao regime de Maduro.




