Post: Venezuela enfrenta risco de nova onda migratória sem ajuda internacional, alerta diretor da Opas

Venezuela pode enfrentar nova onda migratória sem ajuda internacional, alerta Jarbas Barbosa, diretor da Opas.
Venezuela enfrenta risco de nova onda migratória sem ajuda internacional, alerta diretor da Opas

A Venezuela pode estar à beira de uma nova crise migratória caso a comunidade internacional não consiga restaurar rapidamente seu sistema de saúde, devastado por recentes terremotos. Essa é a avaliação de Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Segundo ele, a destruição de hospitais, a escassez de profissionais de saúde e a interrupção de tratamentos essenciais podem forçar milhares de venezuelanos a buscar atendimento médico em países vizinhos, como Brasil e Colômbia.

Após os terremotos, 73 unidades de saúde foram avaliadas, e 25 delas apresentaram danos significativos. Em 20 dessas unidades, o atendimento foi severamente comprometido pela falta de médicos e enfermeiros. “Alguns profissionais de saúde provavelmente estão sob os escombros; outros perderam tudo e ainda não conseguiram voltar ao trabalho”, afirmou Barbosa em entrevista à Folha.

Para mitigar a crise, a Opas mobilizou 43 equipes médicas de emergência de 22 países, incluindo uma equipe da Marinha brasileira, além de enviar mais de seis toneladas de medicamentos, kits cirúrgicos e equipamentos para tratamento de água e saneamento. No entanto, a preocupação vai além da assistência imediata às vítimas. A interrupção de tratamentos para doenças crônicas, como HIV, diabetes e hipertensão, juntamente com a baixa cobertura vacinal, pode prolongar a emergência sanitária e acelerar o fluxo migratório.

Barbosa enfatiza que garantir vacinação e continuidade do tratamento para os venezuelanos que cruzam as fronteiras é uma questão de saúde pública. “Quando não se oferece acesso, as pessoas evitam procurar atendimento, e um surto pode deixar de ser detectado. Proteger os migrantes é também proteger a população dos países que os recebem”, explicou.

Os terremotos danificaram 73 unidades de saúde e 11 hospitais prioritários. O plano de contingência para as regiões afetadas inclui a avaliação rápida dos danos. Dos 73 locais inspecionados, 25 sofreram avarias de diferentes magnitudes, e 20 enfrentam dificuldades graves devido à falta de profissionais. Em alguns casos, médicos e enfermeiros perderam suas vidas ou estão desaparecidos, enquanto outros perderam suas casas e familiares. A situação exige uma resposta rápida e eficaz para evitar um colapso ainda maior no sistema de saúde venezuelano.

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