A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) enfrenta um novo desafio com a Venezuela, um de seus membros fundadores, considerando deixar a organização. Essa discussão surge poucos meses após a saída dos Emirados Árabes Unidos, levantando questionamentos sobre a coesão do grupo e sua capacidade de influenciar os preços do petróleo no mercado global.
A Venezuela, que possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, está em um processo de aproximação com os Estados Unidos, o que pode ter implicações significativas para sua participação na Opep. Embora a saída do país não tenha um impacto imediato na oferta global de petróleo, as incertezas sobre a unidade do grupo se intensificam, especialmente com a insatisfação crescente de outros membros, como o Iraque.
Segundo especialistas, a fragmentação da Opep poderia levar a uma competição entre os países membros por clientes e participação de mercado, semelhante à guerra de preços que ocorreu no início da pandemia de 2020. Essa situação tornaria o mercado mais vulnerável a choques, uma vez que a Opep atua como um regulador da oferta, intervindo em momentos de excesso de produção.
Ali Al Riyami, ex-diretor-geral de comercialização de petróleo e gás do Ministério da Energia de Omã, destacou que a credibilidade da Opep está em jogo e que a saída da Venezuela poderia ser um sinal de uma onda maior de desercões. Nos últimos anos, a influência do grupo diminuiu com a ascensão de novos concorrentes, como os produtores de xisto dos EUA e a crescente participação da China no mercado petrolífero.
A produção da Venezuela caiu drasticamente nos últimos anos devido a sanções e crises econômicas, o que a deixou isenta dos acordos de redução de produção da Opep. Apesar de planos de possíveis acordos com os EUA, não há perspectivas de um aumento significativo na produção a curto prazo. No entanto, a saída da Venezuela, se concretizada, representaria um golpe simbólico para a Opep, retirando mais de 5 milhões de barris por dia de sua capacidade de produção.
A Opep já enfrentou saídas anteriores, como a dos Emirados Árabes Unidos, que se retiraram após frustrações com limites de produção. O Iraque também expressou descontentamento, indicando que poderia considerar deixar o grupo se não obtivesse um limite maior de produção.
Com o conflito no Irã forçando a Arábia Saudita, Iraque e Kuwait a manter grandes volumes de produção paralisados, a Opep se vê em uma posição vulnerável. A situação pode mudar se o conflito for resolvido, mas, atualmente, as projeções indicam que o mercado global de petróleo pode enfrentar um excesso de oferta até 2027.
A batalha da Opep para manter sua influência está se tornando cada vez mais desafiadora, à medida que as mudanças geopolíticas moldam o futuro do petróleo no mundo. Henning Gloystein, diretor-gerente de energia e recursos da consultoria Eurasia, observou que a redução no número de membros e volumes de produção significa uma diminuição do domínio do grupo sobre os mercados globais.



